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By Jô

Esmiuçando qualquer coisa especial

Perdoar é foda… Mas é agora?

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Não é Besteira

Texto inspirado nas minhas vivências e pelo casal Lutávio, formado por Luccino (Juliano Laham) e Otávio (Pedro Henrique Müller), personagens do folhetim Orgulho e Paixão, exibido pela Rede Globo entre 20/03/2018 e 17/09/2018.

Música de fundo: Macklemore and Ryan Lewis feat. Mary Lambert – SAME LOVE

Arte: https://twitter.com/anadelonge

TRANSCRIÇÃO

Não um… não dois… tantos, pequenos, logo, imensos, desencontros. Quando comecei a me conhecer, não me reconheci. O coração começou a bater, e mais forte, mas num ritmo diferente. Algo parecia estar ausente, vindo de longe, de carroça, e a carroça presa do outro lado de um abismo, e ninguém parecia querer construir uma ponte. Estranheza, ainda que a abomine, não a odeio, nem sinto saudade. Ela é só uns dos espinhos no caule da minha dita famigerada verdade.
Quanto mais conhecimento vindo do verdadeiro sentimento que vem de dentro, mais distinto do que esperavam, do que pensavam, eu germinava, mesmo… com medo. Me sentia alienígena, peculiar, mas não falava. Matutava, media, tentava voltar a um nó que jamais existira. Não me via, não me legitimava, não me achava nas vitrines e nem nos canteiros das praças… Não me disseram que eu podia me amar como eu sou. Eu posso. Demorei, e ao invés de me contemplar e desabrochar, eu me escondi, me esquivei. Em silêncio, um botão empacado, congelado no frio da solidão de não se ver merecedor de pôr a cara no sol.
A atipicidade dos desencontros se tornou típica, e o aconchego do segredo, por mais injusto, abriu espaço para as válvulas de escape sob cobertas, marginais, doces criminalidades semeadas, jamais completamente colhidas; sempre podadas pela raiz… bruscamente.
O dedo no botão vermelho do controle remoto, sempre atento, tremendo. Os textos ambíguos e rasos e com pouco alento. As palavras que eram levadas por qualquer vento, qualquer “o que é isso?”, “o que está fazendo?”, “quem já se viu?” Eu não… Eu nun, nunca me vi… Não quando eu era pra ter começado…
E diziam: “Guarda o desenho embaixo do colchão”. As vozes dentro de mim diziam: “Engole o glitter”. Repetiam: “Finge ócio, prende a risada, o sorriso, guarda essa voz fina, essa delicadeza, não quebra a suposição de normalidade. Você não é assim… Não deixa nada vazar, nenhuma gota… Nada do que desconfiar… Entendido?”
Se amar, se validar, se subornar com doses esporádicas de compaixão. Autoconhecimento vinha com autoprivação, automutilação. Então, de novo, as vozes: “Perde o episódio, perde a rima, perde o passo, sim, perca a apresentação, perca sua expressão. Nada fora do fone de ouvido, hein? Gagueje! Tudo visto em migalhas, como se fosse errado, porque é!
Sedento, faminto, coitado, sem ser visto, sem se ver, i-lha-do! Raramente refletido na televisão, no monitor, na tela ligada. Sem brilho. Raramente, uma chama, uma felicidade, uma coisa que só quem sabe o quanto faz falta sabe o quanto faz bem quando não falta. E essa coisa, tratada estranha, longínqua, linda, me acalmou, me fez me sentir menos estranho, me deixou chorar, me disse que ficaria melhor, e eu fiquei, comigo mesmo.
Por um coração teimoso que não sabe mentir tanto quanto eu o tentei ensinar, por ser furtado da liberdade de ser quem sou e não querer mais ser comparsa desse ato, me entreguei e disse “basta”. A minha verdade não é vergonha, nem baixa, ela é tão linda quanto pura, não tá bugada, não é defeito de fábrica.
Não mais tão escassa, não só na pirataria criptografada, não só na aba anônima bruscamente fechada. Eu tô ali, vó, na novela das 6 da senhora, no YouTube que o pequeno curte, nesta palavra escrita e gravada, e eu vou estar na sala de aula. Somos nós, por nós, cheios de graça e de tudo que podemos ser, em todas as cores, especialmente as que o simplismo do preconceito insiste em não reconhecer. Tem problema não, a gente se reconhece, a gente se vê e se identifica, somos fagulhas, faíscas, fogo de uma vontade de com representatividade se fortalecer. Calma, coração, que a gente tá chegando, cada vez mais perto de quando você começa… a não se ver.
E para quem está do outro lado, não venha querer diminuir a grandeza do meu orgulho se faz parte… do meu sofrimento, porque ele é a superação do quanto você me fez pensar que eu não devo tê-lo. Sim, ele, muito do tardio e gostoso, o danado do orgulho. Não é mimimi, não é besteira, não é só um beijo, não é sua válvula de escape, tá? Chegue mais perto, e mesmo assim não compreenda o peso, porque, afinal, não é seu espelho.

Ah, se fosse besteira
Banal em mim a vida inteira
Significaria tão pouco
Sem espera, temor ou sufoco

Ah, se fosse corriqueira
Não descrita como nojeira
Coisa linda e diversificada
Das eletrizantes às chatas

Ah, se fosse só um beijo
Se pudéssemos dá-lo sem medo
Sem ser contaminado com ódio
Não ensanguentado em nossos esforços

Se fossemos apenas homens se beijando
Se não tivéssemos que fingir sermos machos… Desde os 10 anos

Há de ser diferente!

Terceira parte de uma trilogia de poemas sobre o período de transição em minha vida.

  1. Não era pra ser diferente?
  2. Ainda não é diferente…
  3. Há de ser diferente!

Ainda não é diferente…

Segunda parte de uma trilogia de poemas sobre o período de transição em minha vida.

  1. Não era pra ser diferente?
  2. Ainda não é diferente…
  3. Há de ser diferente!

E em cores!

Eu me vejo continue lendo

Não era pra ser diferente?

Primeira parte de uma trilogia de poemas sobre o período de transição em minha vida.

  1. Não era pra ser diferente?
  2. Ainda não é diferente…
  3. Há de ser diferente!

 

lugar_de_fala.mp3

Voltei, depois de muito tempo, com proposta em áudio.

É algo novo, escapismo amador! Ouça abaixo.

Talvez tenha mais coisa no YouTube do Blog em breve.

Think or act, think and act, think, act

The mistakes piling up
People afraid to face the dark
Edges ignored, sharper each day
We want to go, and also to stay

Opening the mind is not easy
When privilege fits perfectly
Being numb is barely a choice
If you never have to defend your voice

We try… But do we feel?
The guilt… Is it real?
Do we echo or do we drown?
Are those shrugs or frowns?

Memórias de um eu inexistente, 3

É cruelmente cômico como a clareza e o poder andam em direções opostas, deixando um rastro de frustração ofuscante e o dito protagonista no meio do infame impasse. Quanto mais se tem noção do que deveria ser diferente, menos meios para mudar estão disponíveis. A sina de quem se perdoa é saber que nunca poderá se recuperar totalmente, e que a pessoa que agora ela vê no espelho pode ser tanto uma impostora, quando uma nobre representante de quem ela seria se o poder e a clareza se encontrassem pelo menos uma vez.

Existir após superar-se, e após perceber que o erro não estava em você, é mais difícil do lado luminoso do que do escuro, pois ecoar positividade, ainda que sabendo que o presente não é nem metade do que poderia ser, é insano, para dizer o mínimo.

E se for lamentar, o que não é esporádico, não é para prometer que não o voltará a fazer. Nunca teremos a plenitude com a qual ingenuamente sonhamos, por isso, sempre nos culpamos por algo fora do nosso controle. A possibilidade que morreu não foi assassinada não só pela falta de poder, mas essencialmente pela de clareza. Se soubéssemos nos amar quando toda a normalidade apontava para o ódio…

A idealização de um renascer é tão inocente quanto o desejo de uma volta no tempo. Nem vingança, nem a volta por cima, só o autoperdão. Enquanto isso, o cidadão dito de bem louva a sua blindagem social e usufrui dela como arma também, e quem segue as vontades deles, como nossos pequenos e as crianças que há em nós, está destinado a se frustrar e se odiar, porque a onda mais recorrente é a da culpa de não ser tudo aquilo está sempre no horizonte, bambo, na corda segurada entre a clareza e o poder, e que só depende, segundo quem tem clareza e poder, do tal mérito.

 

  • O morto pelo preconceito
  • O zumbi
  • O futuro reencarnado

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