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By Jô

Esmiuçando qualquer coisa especial

Testando, Textando (12/30)

Vai ouvir?
Eu vou falar?
Hora marcada
Luz baixa
Largo sofá
Tênis ao chão
Meias ao ar
Mente a se abrir
Quero mergulhar
Quero melhorar
Quero submergir
Sem me sufocar

Sei que é maratona
Sabes que não sei esperar

Não sei aonde chegarei
Mal sabes onde parei

Eu, você, eu, eu, eu
Ei, cadê você?

Já?
Já?
Ainda…
Ainda…
Não, mas quase
Quase o começo
Ainda…
Ainda…
O ensaio
Do primeiro
Passo

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Testando, Textando (11/30)

Se me desfaço
Do todo confortável
Doce tênue inerte pedaço
É porque quero, logo, renasço
Peno, mas sou pleno
Na incompletude do afago
Do cansaço nesse mormaço
Me estilhaço e me refaço

Querido, não há porque ficar
A mudança é sinal de vida, sim
Altera-se as marés dos confins
Perde-se um apreço, inventa-se outro
Reescrevamos o significado de tesouro

Vindoura seja a próxima ladeira
O novelo a se refletir ex-novelo
A linha na lama, no fogo, na alma
A ausência e a abundância de calma
Tudo, e de repente, nada de novo
Nada de novo, e de repente, tudo o é

Testando, Textando (10/30)

É no devaneio
Nada atípico
Mas, hoje, me atiça
Fim de tarde de domingo
Num nível abaixo
Da consciência do cansaço
Num passeio sem compromisso
Experimento tudo isso
Onde me encontro perdido
Na graça, na do teu ser
Ao sorrir livremente
Só por saber
O tanto que quero
Mesmo em tantos espaços
Não podendo a ti ter

Freud tenta, mas falha
É coisa rara, complicada
Esse denso suspiro da alma
A dor num cabo de guerra
Irmã gêmea do prazer

Testando, Textando (9/30)

Sonho
Com um sonho
Na padaria
Da esquina
Sonho
Com os 0,50
Que faltam
Para o sonho

Sonho
Com Dubai
Só por mais
5 dias
Por mais
5 mil dólares
Num prato
Só fotografado

Sonho
Com um iPhone
Em 60 prestações
Roubado anteontem

Sonho
Com uma Ferrari
Não a que tenho
Mas a que só sai ano que vem

Sonho
Cada vez mais
Com o que tenho
Sendo coisa do passado

Testando, Textando (8/30)

Vago não só ao meu sentir vago
Os eus se desembaraçam imundos
Só para encontrar outras sujeiras
A humanidade, corrupta e ciente
Jamais singela, mas teimosa, não se entrega
Se rebela, mas teme, não se arrepende
Gosta, mas receia, com audácia, se recheia
Se vomita, faceira, rodeia, espatifa, esperneia
Peneira rasgada é a regra sussurrada
Vago porque trago em mim uns tragos de mim
Tusso porque torço, me contorço orgulhoso
Não sei se é fim, mas é, enfim, confuso de novo
Saio para me perder, me encontro, e cansado
Volto a bocejar em todos os meus porquês

Testando, Textando (7/30)

Muito triste
Não pelo que choro
Mas pelo que me roubam
As lágrimas
Em meio aos soluços
No meio da bochecha
Enquanto escorrem
Me fazem correr
Tampar minha boca
Sufocar minha alma
Existir no limite
Da desidratada desgraça

Testando, Textando (6/30)

Por mim, a milésima
Para mim, a primeira
Todo dia, não uma janela
Mais que saudação faceira
Ah, saudação faceira…

Entre o vidro e a pressa
Deixaste escorrer, terno
O amor que tanto espero
Que quase deixo cair por terra

Mas, um “bom-dia”
Mais um “bom-dia”
Que simples alegria
Não é só um “bom-dia”
Que besteira, real ou fantasia?
Que boba essa sinergia
Outrora, se encontram
Nossos “bom-dia”
Nossos olhares
Nossos dedos
Nossos lábios

Toda vez não era hora
Agora é nossa vez
Perdi a hora, o ônibus
Ganhei-te

Testando, Textando (5/30)

O coração
Não bate
Ele batalha
Para continuar
E um dia
Ser medíocre
E só bater
Sabendo
Que quando parar
Vai ser por cansaço
Não por ódio

A mente
Não se engana
Sacana, sincera
Pouca é a chance
Grande é a noção dela

Ninguém perde tanto
Quanto o pouco que se ganha
Vim dizer que vejo como antes
Primeira nova dita besteira
Radiante certeza de vida
Após mortes, ela, querida
Nada de sorte, batalha, batida
Quedas e cortes, verdade erguida
Banheira rasgada, felicidade que vinga
Quem sabe a falta que faz o amor próprio
Sabe o quando não dói reencontrá-lo insólito

Testando, Textando (4/30)

Éramos para ser
Quero que sejamos
Mais por enquanto
Torno a temer
Desigualdade segue reinando
Teu privilégio despercebido
É meu imponente inimigo
Sempre algoz, ora mais, ora menos
Entre ele e meu orgulho
Saio vitorioso por percebê-los

Não sou como você
Que não olha atrás do pescoço
Que não vê o silêncio como esforço
Que não enrijece o pulso
Que não se dá pequenos sustos

Não tem, você, o desprazer
De precisar se contorcer
Dentro de si, se esconder
Fingir conforto, ócio, mesmice
Da omissão cortante de requinte

Não tenho o açúcar da neutralidade
Não tenho berço de normatividade
Não sou ignorado por viver minha verdade

Você não leva tapa na nuca
Pelos motivos que eu levo, nunca
A não ser que te confundam comigo
Ao você tropeçar fora do roteiro, migo
Ao perceber que teu reinado é restrito
A pensamentos pobres e numerosos

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