Primeira queda

Um garotinho cheio de verdade, confiança e apoio. E cai, caiu, foi. Pela primeira vez, fazendo algo que gosta irrefutavelmente. E aí? Ai. O que ele fará? Ai! Falo mesmo, o garotinho sou eu, não sei o que farei. Ei! Quer me ajudar? Ei. Quer saber mais? Vem! Quer cutucar a ferida? Olha! Sentir o cheiro do sangue? Vem! Dançar sob os curativos improvisados? Ei!!! Bem-vindo!

Desde sempre fui motivado, explorado, louvado, colocado no pedestal de vidro, aplaudido pelas coisas mais insignificantes. Logo, aprendi a sempre esperar o melhor de mim, desaprendi a considerar o erro, a derrota, o defeito, o desfalque, a humanidade. Então, quando caí, na primeira curva mais violenta, o baque não foi apenas daquele momento, mas de todos os outros em que eu não me permiti parar para ser todas as partes de mim que me fizeram acreditar que eu não precisava para ser completo. Doeu! Doeu mais do que o comum, porque não estava lá quando me deixei cair, apenas o fiz porque não o esperava. O tropeço nem foi tropeço, foi sopro, foi sutil arremesso de mim mesmo. Nem vi para onde mirei, apenas atirei. Me acertei.

Até então, eu era relativamente perfeito, dono de mim, dono da medalha em qualquer corrida em que me inscrevesse. A história mudou, a vida finalmente está pronta para me ensinar a viver com seus mais variados estilos de relevo, o único empecilho é a minha disponibilidade para com tantas alterações drásticas e inevitáveis. Nessa brincadeira chamada versatilidade dos persistentes, eu já comecei a sofrer, já caí mais umas dez trilhões de veze. Já percebi que minhas prioridades precisam ser atualizadas imediatamente. Não posso mentir para mim mesmo, pois a passagem dos dias só traz mais problemas, mais argumentos negativos do destino, mais meios de desestabilizar e, só então, imortalizar minha autenticidade enquanto sonhador merecedor da realização de tais sonhos.

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