Dançando com abismos
Sórdidos, vícios
Maliciosos e complicados
Um tanto proibidos
Às vezes escondidos
Mas sempre revolucionários
Contorcionismos…

Poucos amigos acreditam
Uma multidão ri sem parar
A família reina na dúvida
Mas a gente não para de tentar
Somos loucos, persistentes, loucos
Queridos por aqueles que já se foram
Somos a tinta fresca, escorrendo
Porquinhos na lama, na vida
Nos contorcionismos…

É cada coisa que eu vejo
De toda cor, forma e respeito
Beijo na boca, na testa, no chão
Sabor de mel, de água, de sabão
É uma história diferente
A cada calafrio que domina a gente
São normalidades da jornada
Obstáculos extraordinários na estrada
Eles requerem heróis inéditos
Sem popularidade, brilho ou crédito
Eles requerem improviso
Sem expectativa, ou aviso
Eles requerem contorcionismos

Seja no frio da meia-noite
Ou no calor do meio-dia
O que importa é perder o equilíbrio
Se desfazer da ilusão chamada felicidade
Seja na rua ou debaixo da cama
Seja no anonimato ou na fama
Meu bem, nós todos passamos por isso
E quando acaba…
Somos todos flagrados em meio aos vestígios
Meu bem, nós não podemos evitá-lo
Nossos instintos são seus escravos
Uma hora somos reis do destino
Mas logo fechamos a boca, prendemos a respiração
Pois os verdadeiros anfitriões chegam
Os contorcionismos

Lábios mordidos
Cabeça fervilhando
Corpo dormente
E realidade se despedaçando

Em busca de sobrevivência
Todo gesto transborda carência
Mas sempre, ou quase sempre, chegamos lá
Um tanto desfalcados, mas chegamos lá
Contorcionismos
Ah, seus malditos queridos

Mestres que nos entopem com lições surpresa
Transformando o conforto no antônimo da beleza
Nos revela o que há de melhor em nós
Nos lapida e muda a nossa voz
Invasores
Atordoantes
Incontroláveis
Parte de quem admiramos
Contorcionismos

Se nos manifestamos
É porque nos amamos
Porque vale a pena prosperar
Mesmo com a agonia
Com o adiamento da folia
Nos permitimos comemorar

Contorcionismos
Salvadores da pátria
Picos irreproduzíveis
Únicos e eficazes
Não são para todo mundo
Mas todo mundo os chama
Contorcionismos
Meus amigos de longa data
Meus portos seguros na guerra
Meus símbolos de valor e orgulho
Contorcionismos
Renascimentos forçados
Necessários até a morte
Para atrasar várias mortes
Para evitar as velhas mortes
Contorcionismos
Nada além da humanidade bruta
Em sua esfera mais nobre
Fazendo o que mais sabe fazer
Contorcionismos
Queimadores de limites
Respostas para as situações-chave
Abrigo para os corações valentes
Contorcionismos

É difícil dizer
O quão forte nos tornamos
Quanto tempo a voracidade dura
Qual é o gatilho

É fácil sentir
A adrenalina alienígena
O sabor da versatilidade
A intensidade de cada toque

Tudo ganha outro significado
Mais claro e simples do que nunca
Mais independente e honroso
Mais imponente diante dos mostros
Tudo soa diferente e alheio
Mas é meu, não só meu, mas meu

Há uma conexão
Com quem eu quero ser
Com quem eu penso ser
Com quem eu sou
Eles conversam
Comparam conclusões
Combinam estratégias

E eu os observo
Aprecio sua divindade
É tudo tão puro e gentil
Tão inumano, e humano
Tão universal
Tão fora do que testemunho
Tão fora do que divago

Nesses momentos de desespero
Me encontro com quem devo ser
Reconheço meus talentos ocultos
Que guardo para o último amanhecer

Nesses espetáculos psíquicos
Abro montanhas e rasgo opiniões
Saio da caixa, do título, da razão
Vou contra a probabilidade, pego a minha mão
Nem eu sei do que sou capaz
Então é disso que vou atrás
Toda vez que a vida me põe no seu, no meu, alvo

Anúncios