REFLEXO DO POST “Não ligamos para não nos ligarmos

Luto? Pelo que nunca se viveu?
Luto? Se alguém luta, não sou eu!
Choro… A lágrima mais seca
Choro escorre por descrença faceira
Moramos? Moramos juntos! Juntos…
Nos falamos? Falamos… balbucios.
Arrasados por nada. Desistimos de tudo
Enfim, em nós, não falado, vivido luto
Preto no que quero, branco no que ofereço
Pouca dose de esmero, muito do que mereço
Cuido do peito que raramente vibra, brilha
Acompanho a mais monótona das trilhas
Sigo em frente se o vento me levar até lá
Não me apego à decadência de não nos poupar
Simplesmente, fielmente, deixo definhar
Aquilo que com empenho nunca me pus a carregar

Perdão não peço, o tempo passa
Deveria evitar possível desgraça
Não é passional, é passivo, circular
Não arrepia a pele, não adoça o olhar
Perdão eu pedirei, um dia, talvez
A quem eu, você, ser, não deixei
A quem eu, de mim, até hoje, não privei
Perdão é fardo, diferente do que temos
Tem peso, não ensejo, mas isso, pelo menos
Por mais que não perfure, não deveria perdurar
Por mais que não desagrade, não deveria triunfar
Tão sem competição, atrito, flutuamos sem ninguém
Ainda que lado a lado, nossa solidão é o que vai além

Anúncios