REFLEXO DO POST “Um copo

Um abraço
Comum ou palavreado
Hoje em dia, custa caro
O saldo é corrompido
Suporte é raro e agredido
É fácil destoar o objetivo
Muitos se calam por isso
Muitos cruzam os braços para o abismo

Há quem não aguente ver
Há quem não queira falar
Há quem prefira se esconder
Há quem goste como está
Cada um recluso em seu lugar
Uns com excesso, outros sem teto
Uns sob o melhor, outros inteiramente sós

Quem se comove vira alvo
Só os ditos burros não se abalam
Tiram de seus zeros à direita
Para darem aos à esquerda

Quem tem deve resguardar
Nunca significativamente se solidarizar
Se tiver câmera ligada, há carteira generosa
Naturalmente, nem o mínimo de esmola

O mundo é de todos
E todos são seus mundos
Tantos com tão pouco
Tantos viciados em acúmulo
Quem tem e não divide, prospera
Quem tem e divide, recebe pedras
A contradição está na superestimação
Da humanidade isolada da compaixão
Da individualidade isenta de caridade
Do trabalho voluntário como publicidade

Uns ateiam fogo em mendigos
Outros os usam para incentivar os filhos
“Estudem, senão serão como eles”
Estudem para não ter pensamentos como esse!

Uns negam um copo d’água
Outros os ignoram no meio da estrada
Protegem a moeda sempre lustrada
Mentem com a mais bela fachada
Fingem não ouvir, não ter tempo
Deixam a intenção ser levada pelo vento
Dizem voltar depois, com feijão e arroz
Alguns até voltam, temperam com veneno

Para uns
A dor alheia
É exótica
Vergonhosa
Asquerosa
Pecaminosa
Para outros
Não há saída
É causa perdida
Coisa de gente esquisita
Para poucos
Mais sufocos
Batalhas dignas
Acima de tudo, vidas

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