REFLEXO DO POST  “Eu sou altruísta, eu”

Nós te ouvimos e paramos
Nunca realmente cessamos
Faz séculos que reinam enganos
Só respiramos enquanto sonhamos
Sonhamos enquanto respiramos
Viciados saciados quando nos precipitamos
De todo modo, mundo, sempre ansiamos
Faz um tempo, mais de dez anos
Que a luta virou digital, global
Num segundo o novo vira banal
A corrida é mais do que nunca sacal
O homem se imagina mais essencial
Mas se pararmos de nos ludibriamos
Com essa fragrância de nossos egos inflados
Certamente veremos que somos podres e baratos
Que nossos picos são fracassos muito bem decorados

Por um instante, reflitamos
Na água que corre poluída, reflitamos
Sobre o ar que fica mais denso, reflitamos
Sobre o veneno ideológico que fomentamos, reflitamos

Ei, eu sei que é difícil, sabe…
Perder o costume, provar o azedume
A verdade nunca esteve escondida, sabe…
É tudo questão de sensatez, sensibilidade

Se a gente se recusa, se abusa, se viola
Se a gente faz da hostilidade normalidade
Se a gente vê ofensa como rotina de escola
Se a gente concentra a atenção na imaturidade

Tudo é agora, é o olho da cara, é porta fechada
Tudo é óbvio, é doce, é salgado, é líquido, é sólido
Tudo é simples, superfície, plataforma unidimensional
Tudo é inumano, minimalista, masoquista, mecanicista

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