Ei, você
Eu te vejo…
Será que vejo?
Eu te escuto
Mas logo cuspo
Não te considero
Quase nunca te espero
Eu mesmo engulo meu esmero
Me parabenizo quando te atropelo

Solto palavrão, chamo de fechação
Tombo, lacro, piso, posto o textão
Só sei compartilhar o que é meu
Só sei ignorar o que é seu
Prendo-me em minha bolha
Protejo-me de ideia alheia toda
Me retiro das possibilidades externas
Me refino, me defino, me amo em minhas esferas

Sou eu, sou muitos
Sou poucas pausas, só intuitos
Sou bocão, letra maiúscula
Hashtag chamativa, abusiva
Venho para causar e sempre o faço
Venho para fazer ou abominar panelaço
Sou eu, sou meu, sou tudo que preciso
Sou isso hoje, amanhã posso ser aquilo
Nunca sou, porém, aquilo que te faz ouvido

Ei, você
Me ouve, de novo
Me tenha, só venha
Sente, abra o olhar
Bata o leque e respire
Cala, gema, não repreenda
Não dê pitaco, não aponte buraco
Deixe-me dizer e depois você não fala, tá?
Deixe-me me satisfazer e aí você vai embora, tá?
Você finge que não existe até eu te chamar de novo, tá?

Eu gosto de acontecer, de parar o tempo
Eu gosto de gostar e depois de odiar o movimento
Eu gosto de seguir a maré do que é mais fácil defender
Eu gosto de ser contra injustiças óbvias, fáceis de polarizar e ferver

Menina, menino, singulares, por favor
Venham aos poucos receber meu pavor
Hoje eu temo o fim da compaixão e do amor
Hoje eu faço montagem de supressão ao horror

Olhem, parem com isso de serem introvertidos
Eu quero faixa, porrada, bomba e vários tiros
De preferência, cheios de glitter, em palmas e gritos
Olhem, parem com isso de não serem compreendidos

Ei, você
Já foi ilegítimo hoje?
Já aprendeu a me deixar te defender?
Já abriu alas para eu representar-me por você?

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