REFLEXO DO POST “ByMigos #1

Outro corpo sem nome
Outro entulho de não tão longe
Acariciado pelo último infortúnio, orvalho
Por acaso, já tarde, já cedo, encontrado

O vigia o viu deitado sem sinais de violência
Que vigília terá em sua derradeira decadência?
Que pesado! O corpo, encharcado, enfim parado
Depois dos solavancos dos suspiros, o vazio raso

Sem colo de mãe, sem porta fechada
Sob as estrelas esmaecendo caladas
Filho de grito que não ouviram nem tiraram
Semeador de futuro que em olhos miúdos brilharam

Quem era o dono da camisa azul…
A calça da mesma cor mais escura
A mochila pesada levava alguma culpa?
Quantos sonhos nunca foram além de crus?

Coberto por lama e vegetação viscosa
Também por sirenes e luzes aleatórias
Em volta, a cidade mais morta oficialmente acorda

Uma, duas, três poluições
Da lagoa, da alma, dos corações
Normalizaram, deixaram afogar
Na brutalidade na inexistência do pesar
Cidade desperta menos alerta
Menos lenta, esperançosa, diversa
Perde vida que se vai como milhares
Recebendo a secura de rasos olhares

Qualquer, ainda que única, ela, a vida
Vai como nunca, como tantas
Sem eira, à beira, inteira
Manchete descartável
Dor computável?
Dor catalogável?
Dor considerável?

Sem o menor dos agouros
Um cadáver, um corpo
Um homem inchado, torto
Pálido, à toa, à última margem
Parte da parte ignorada no automático
Menos um palito de fósforo requeimado
Menos um para fingirem que é notado
Mais uma questão sem resposta digna
Mais um que vai, mais um que não fica

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