REFLEXO DO POST “Cadê?

Negro, eu te conheço
Dos dedos que te apontam sem apreço
Eu sei quem você é na obviedade
Sei que fazem dela sua única verdade
Negro, eu confesso que padeço
Vejo, mas não repudio tanto, desapareço
Fico me roendo por dentro, seu teu apego
Me poupo de entrar na bala para te defender
Uso o que é mais fácil de anunciar e vender
Não ponho nem tiro o estigma de você
É triste minha posição inexistente
É tipo um barco sem tripulação
Uma alma sem saldo de perdão
Um abraço sem compaixão
Um braço sem mão

“Chega pra cá”
Era o que eu queria dizer
Sair um dia, uma noite com você
Sentir a brisa de sentar pra conversar
Sobre os sonhos e as ansiedades divagar
Quem sabe adormecer sob a luz do luar
Ou construir um só nosso relógio solar

“Chega pra cá”
Aposto que é o que você quer ouvir
De uma vez, o mundo parar de te trair
Desse jeito, nunca mais me encontrar aqui
Indeciso, insosso, silencioso, sem ti
Culpado, fingido, calado, preso em mim

Ei, irmão
Não ligo para melanina, não
Ela é detalhe que a gente leva
É fronteira de nossos contrastes
Um dia não será semente de desastre

Ei, irmão
Eu queria me ver melhor na televisão
Não suporto mais estereótipo em alta definição

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