Na beira, a morte

Por Brenda Silva

 

Na beira, a morte
Às margens da vida esteve
Numa madrugada triste e fria
A morte não se conteve
Ao cantar mais uma elegia

Consumida pelo mistério da noite
Uma carcaça que não mais sorria
Sentira a dor do açoite
Ao puxar-lhe o fôlego das vias

Estorvo pálido e torto
Naquelas águas vazias
Como vela apagada em sopro
Sua chama de vida partia
E só se via agora em seu rosto
A luz da lanterna do vigia

Não tinha indício de violência
Nenhum sinal de covardia
Talvez a bruta dor da existência
Era o que lhe consumia
Se o álcool lhe serviu de assistência
Isso ninguém sabia

O fato é que ali estava
À mercê da brisa sombria
E o berço da morte ninava
Aquela alma que agora dormia

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