REFLEXO DO POST “Poema qualquer (4*4*2+4+4+1)

Ah, as páginas
Me devoram digitalizadas
Consomem meus olhos pulsantes
Corrosivas, metálicas, pontiagudas
Lâminas de consolidação profunda
Preenchem-se e preenchem-me

Ah, páginas malignas, benditas
Cortantes, recicladas, fedidas
Dormidas, babadas, perdidas
Coisadas, coitadas, marcadas
Traçadas, forjadas, consumadas
Recriadas, reforçadas, retomadas
Ah, páginas de saudade imaculada
Cheio de terra molha à beira da estrada
Mel de colo de avó indelicada, adulada
Funil de coquetel invisível em taça de prata

Ah, páginas corpulentas e flácidas
Gordurosas, sedosas, ardilosas
Miscelâneas minhas maquinações
Perdurações, divagações, constipações

Ah, páginas galopantes oscilantes
Entre dunas e cachoeiras e geleiras
Tapa de sol dourado e ventania faceira
Manifestos de ondulações inconstantes
Meninas de sonhos envoltos em brincadeiras
Meninos de poucos louvores para a vida inteira
Amarrotado, o véu de inocência deixa de ser
Complicado, o silêncio da carência teima em não perecer

Ah, páginas de vidro e de couro
Polegares, asas, ninfas e ogros
Imigrantes de passados impróprios
Dias de um futuro em destroços prósperos

Cuidem bem dos meus tentáculos, queridos versos
Cubram-nos até o infinito e o fim mais óbvio do universo
Sejam todos um só mesmo que não os vivam assim
Queiram mais de vocês mesmos do que quiseram de mim

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