Livro de poesia?
Livro-me todo dia
Internalizada, minha
Mania de intuição e sinergia
Coisa de quietude e folia
Vício banal em dicotomia
Coisa que se mata e se cria
Livre nunca estou de minha poesia

Faço embaraço
Engulo vírgulas
Masco âncoras
Doces feridas
Não perco o compasso
O medo de não ter estrago
A agonia de não se desencontrar
Meu contentamento é poetizar

Costuro tudo de novo
Nunca velho, jamais novo
Todo popular e íntimo agouro
Todo escuro e anônimo fundo de poço

O que posso e em que me destroço
Entre cabanas queimadas e escondidas
Possuo febre e fome de polêmicas banidas

O que forneço e para o que aconteço
Nado no nada que sempre será tudo
Me embebedo no néctar do intuito
Não escapar há tempos não é susto

Versos, estreitos, inversos
Melosos, vertiginosos, perversos
Lendários, imagéticos, concretos
Absorvidos, vangloriados, não seletos

Corpo de textos que me circundam
Acolhem-me sob o alento de cada loucura
Socorrem-me dando mais desespero e desilusão
Nutrem a certeza da escassez de conformação

Quem disse, repete
No olhar, na pele
No pisar, no arrepiar
Quem disse, revive
Não só na superfície
Embora tente, fraqueja
Embora renegue, enseja
A emoção, a sensação
Suplantam o mito da razão

Livre mente é palavra solta
Presa entre a comoção apenas
Livramento é distorção sem pena
Apreciação de qualquer especial coisa
Contentamento é viagem tola
Nunca vai sem que a morte venha

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