Vi de novo, e todo o velho virou outro. Tom, significado, complexidade. Tudo ganhou mais digna, minha verdade. Sob um olhar mais integro de minha parte, sem pressa, simplesmente com melhor base, vi, pela primeira vez, o fruto do desfalque de precipitação, o prazer que vem com o reconhecimento da abundância de uma interpretação em metamorfose. As camadas não são fardos, mas bênçãos.

Vi de novo, outro objeto, pois eu já não era o mesmo da vez que pensei tê-lo visto por completo. Nunca o verei em completude porque sempre estarei sobre o trono da única verdade inquestionável: Nem eu nem o que eu vejo são todos meus, porque sempre haverá aquilo que eu não sei sobre mim porque sempre haverá aquilo que não saberei que existe até que sua existência se torne parte de mim. Vi outro porque era outro, porque eu era outro.

Ao mesmo tempo, era o mesmo, na verdade que sempre tentamos apontar, mas sempre nos encontramos inevitavelmente desviando o olhar, fazendo suposições que parecem tão certas eternas. Diminuímos o que percebemos para nos sentirmos maiores. Quando não conseguimos invalidar a grandeza, abraçamos sem válvulas de escape o senso de inferioridade. Conformar e aceitar a primeira das projeções é o mais fácil, o mais comum, o menos humano a se fazer. Já está tão internalizado, esse costume nosso de vangloriar extremos, seja quando eles nos enaltecem ou quando nos invalidam. Infelizmente, é assim.

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