REFLEXO DO POST “Poema qualquer (10+10+10+10-10)

Na cabeça, onde mais importa
A dor nunca está realmente morta
A lei é linda, mas só de longe vívida
Onde vale a pena estar, jamais vivida
Ainda há cadeiras para certas pessoas
Certas cores de pele e bocas sobre certas bocas

No discurso, no televisivo, no maquiado
É embaçado, mas arcaico, o retrato do bandido
Põem o neguinho, o negão no centro e com força
Fazendo o escravo, rebelde, selvagem, insolente
Põem o gay como chaveiro de mulher heterossexual
Põem a feminista como axila peluda desproporcional
Resumem os poços de lágrimas a discursos incompetentes
Fazem da diversidade uma isca da vez, uma beleza cortês

Cai o literal…
Fica, tu, conceitual…
Firme, evoluído, jamais banal

No peito que bate por dentro com seu intacto alento
Ainda há gente presa em senzala, comendo feijoada
Sendo admirada como exposição erótica, exótica
Espécime a ser louvada por sua austeridade
Mas sempre controlada pela imaculada verdade
Ninguém é tão livre quanto jamais foi se já nasce assim

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