REFLEXO DO POST “Choque -35-

Banal, eu, meu corpo
Apenas copo cheio de nada
Berço de mãos afiadas
Cruel, que nada, normal
Real, pedi em minhas palavras?
Fui aberto e nunca me fechei?
Nunca, permissão, dar, precisei?
Então tenho que, apenas, ser OK?
É OK? E por que não me sinto assim?
Porque tem algo de errado em mim?
Eu sou outro, e não posso ser vário?
Eu sou produto, vocês os usuários?
Eu digo putaria e posso ser brinquedo?
Eu não posso sentir nenhum desespero?
O que há em mim quando não me aguento?
Como suportar esse tipo de tratamento?
Calado estou, lá. Aqui, não, nunca sou
Me entrego ao poema e meio que resolvo
Me guardo, me escrevo, quase estouro
É coisa de toda placa de beira de estrada?
É bandeira que se rasga e diz quase nada
Eu sou humano ou apenas uma coisa só?
Eu sou o promíscuo, logo quero isso. Isso é só?
Sou de todos que me ouvem, sem refutações?
Sou dono apenas de pecaminosas percepções?
Devo nutrir, então, mesmas, loucura e submissão?
Devo ser, só por ser, a buzina, o sino, o corrimão?
Não posso parir angústia ou qualquer complicação?
Não posso ser sexual e ainda ter tua compaixão?
Que tempos são esse de sórdida simplificação?
O que fazem comigo é o que eu mereço?
Como engolir tudo isso? Desapego?
Como consigo? Como fazê-lo?
Como ser apenas teu, inteiro?
Como ser, só assim, válido, verdadeiro?

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