REFLEXO DO POST “pausa_83.indd

Na natureza
Nela está
Tão imponente
A tua dor vibrando
Desvios encontrando
Sob a pele quebrantando
Na natureza, também
Coisa que nunca se detém
Teimosia de não parar
Nem por aqui, nem por ali
Acolá é o básico do ato
Do delírio imanente
Do verbo em todo tempo
Do consolo que não falha
Da roupa mesma da alma
Da loucura que é sonhar

Divago, eu mesmo
Eu e meu próprio
Desconforto ordinário
Volta e meia, volta de novo
Novo, logo ele, novamente
Como antes, desigual mente
Nutro, hospedo, alimento
Tracejo, planejo, fomento
Rebelião em confete e grito
Sopa na qual nado
Velório no qual agito

Quem é culto se priva
Quem é digno não se move
Quem sofre é quem é pobre
E por dentro quer ser seu
Quem é assim tão insolente
Quem não se para em sobrevivente
Quem quer ter coisas mais abrangentes
Pensamentos fora de caixas seladas
Pensamentos de auras sem noção
Do quão dura é a vida de desilusão

Sonho eu e meu peito
Batendo tambores ao vento
Bebendo o luar lamacento
Sonho eu com meus direitos

Anúncios