Carne que se acha
Corre enquanto se mata
Renasce menos dona de si

Pedaço de vida sedenta
Fogaréu que não se aguenta
Sempre fugindo de si

Poço de sequelas ignoradas
Obra prima de cicatrizes subestimadas
Desprezar a raiz é fácil assim?

Proeza de um ser
Deixar de se saber
Definhar longe em si!

Futuro que nunca chega
Ego que tem até bandeira
Quando diremos “enfim”?

É máquina ou é gente?
É quem mais se surpreende
Linha que se renova
Curativo na velha corda
Quem inventa fecha a porta
Quem a tem por ela cobra
Infinidades nunca têm fim

E me rasgo não por pouco caso
Porque utopia é guardar o olhar
É fingir não ouvir, não arder
É tentar simplesmente engolir

E me disponho de peito aberto
Com a acne e o excesso de mim
Porque não sou perfeito, nunca fui
Porque minha humanidade é assim

Não doce, não é mercadoria
Não é cartão VIP na portaria
Não é camaradagem conveniente
É problema real, nada condescendente

O homem morre por cima dele
Tentando se superar na obviedade
Burla a riqueza da sinceridade
Mente ao dizer que não se corrói em fragilidade

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