Entidades de ódios e vontades
Deuses de apelos e desesperos
Lendas que fluem por gerações
Veias que não nutrem perdões
Entidades de ontem e de hoje
Batalhando pelo suspiro de amanhã
Todos frutos de árvores podres
Querendo ser a próxima maçã
Entidades impuras e conservadoras
De todo tipo de carne, ideal e boca
Flatulentas quando a dúvida cai
Imponentes quando o ultimato as retrai

Somos o que cremos
Cremos no que nos eleva
Não importa o que sofremos
Se nossa fé se mantém intrépida
Nela encontramos conforto e força
Paz para fazer o que bem queremos
Todos findamos, em poços ou forcas
Mas até lá, nossa aura decoremos!
Disseminamos o que nos reflete
Quem nascemos e quem nos vemos
De tudo um pouco tentamos, fazemos
De tudo um muito se subestima, se perde

Quanto a vale a perda
De quem quase nada tem?
Quanto vale o zero à esquerda
No peito de um Zé Ninguém?
Se ele não crê em si, não mais
Deixa-se de lado, para trás
É fácil não chorar por si mais
Passa a servir a quem está acima
Passa a servir e viver essa sina
Passa a simplesmente ser essa rima
A crença em um reencontro, talvez
Com o único sentimento cortês
Nutre o retorno de toda “última vez”

Querida sombra do luar
Daquela luz que traz delírios
Sonhos que nunca são colírios
Infame ato de se torturar
É assim que nasce o protagonista
Em liberdade, preso ao vazio
Nesse contexto de destino masoquista
O que lhe resta é ser servente vil

Mas o ator
Mal veste a dor
Mal passa a inquietude
Mal reconhece a amplitude
A serenidade é superficial
Não é trauma essencial
As expressões decepcionam
As nuances nunca chegam, nunca enganam
E tudo passa por ele como tudo passa por nada
Não há condensação do tamanho da estrada
Muito deve-se ao texto do personagem
Da sua escassez de sagaz sondagem
A apresentação, então, é fatídica
Tediosa ao invés de mítica
O ator sem sabor
Nem fervura, nem vapor

Mas nem tudo é quebra de expectativa
A fotografia é a mais poderosa característica
Consegue ser charmosa e ágil ainda que complexa
Embute e desabrocha prazer em toda a sua entrega
Tem equilíbrio de clareza em nobre escuridão
Dá abraço sedoso até na incomum contemplação
Oscila com cautela e controle e precisão

A trilha sonora, eclética como poucas
Funciona no momento, na urgência
Uma pena não ficar na memória envolta
Positiva reserva-se à adequada intransigência
Mistura-se o clássico com o eletrônico
Faz-se desse arranjo um adereço bubônico

Em questão de ritmo
Não há do que reclamar
Há mínimos atritos
Inviável é sua presença não relevar

Como introdução
Todo o episódio falha
Não há ponto de ignição
Apenas beleza esparramada
A premissa, malquista, coitada
Jamais dignamente colocada
Episódio rico em lacunas, isso sim
Começo sem endereço e afins
Coordenadas incompletas, ó céus
Narrações de aventura de fel
Os ventos são sopros tão anônimos
Que passam como ordinários fenômenos
Meros empurrões de qualquer lugar
Inconveniências que deixam a desejar

Starz derrapando um tanto
Mas há fertilidade por todo canto
Se a peteca conseguirem recuperar
No primor completo não é difícil de apostar
Starz fazendo bonito esteticamente
Brincando com as rotas típicas da mente
Construindo um mundo rico em variedade
Manipulando as várias formas de inverdade
Starz em mais uma adaptação literária
Com sua capacidade cada vez mais imponente
Interessante execução de padrões eloquentes
Numa harmonia sensorial cativante, rara


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