Distância da realidade ativada
Visão do presente intacto divagada
Ainda que uns reflexos sobrevivam
Suas reflexões são as que mais atiçam

E como o fogo é poético
Vem de dentro, tudo é seleto
Tudo que é inflamável vai
Tudo que é alheio cai

Simplesmente, metaforicamente
Saúde na abordagem da mente
Doença desde o alicerce da mente
Retrato de castração, sim, novamente

Como a mulher é… para muitos
Apenas fonte de prazer, abuso
Como, para muitos, é só ferramenta
Como tanto guarda, tanto aguenta
É ela quem fica no em foco agora
Com pensamentos seus de toda hora
A esperança de além do seu corpo ser
Dona de sua felicidade, sua calma, seu ser

A ficção científica nos leva
Sempre tão lindamente perversa
Para um contexto de distorção
Para uma insanidade em exaltação
Uma crítica que de tão bela
Não cabe sob a luz de uma janela
Ecoa no olhar que deixa escapar
A dor que jamais e pode domar
A mulher como objeto de reprodução
Apenas útero fértil em cultivação
Contida na atmosfera hipócrita
Ícone de servidão já histórica
Acorrentada ao pior dos ócios
Venerada como um negócio
Vela acesa com um só propósito

E tem espaço delicado extra
Para tratar das ramificações disso
Os que não reproduzem, as vidas secas
Destinados ao tal eterno abismo
Os gays, as lésbicas, os que se negam
Os que declamam a liberdade da diferença
Os que a si próprios incondicionalmente se entregam
Os que são alérgicos a famigerada indiferença

Distopia, água fria
Narrativa de tremer
Alienígena, e familiar
Coisa corriqueira
Hoje mais faceira
Amanhã, quem saberá?
Quem é o alvo, e como?
Quem é o chão da desigualdade?
Quem é escravo de divindades?
Quem é obrigado a ser sangue de instituição?
Quem tem sua vida longe de suas mãos?

Fotografia que exala temor
Cálculos inumanos em tons gelados
Azuis e verdes elegantes de horror
Sentimentos sempre soterrados
O ser humano como engrenagem
Nos trilhos simétricos da exploração
Combustível coagido da viagem
Cada um definido por sua questão
Com respostas como coleiras altivas
Planos dos céus contam misérias
Mesmo com gotas vermelhas vívidas
São pedaços de carne numa só vil ideia

Cerimônias tidas como sagradas
Superioridade da raça humana
Em prol da preservação da ignorância
Trajetórias impiedosamente massacradas
Como argumento mór, a sobrevivência
Como processo mór, a imposta obediência
Como motivação mór, a falta de alternativa
Como contradição mór, ainda hospedar feridas

Causas de gênero, de orientação
De sociedade, de compulsão
Quem comanda, e os porquês
Como disso tira um único prazer
Sentir-se dono do destino seu
Sentir-se dono da capacidade do outro
Tomar aquilo que ninguém cedeu
Ver na opressão o suco de ouro
Causa de fanatismo, de religião
Apedrejamento daquilo que é fiel à natureza
Busca de raiz para toda a supressão
De novas expressões do punho ilegítimo

Violências sem unha na carne
Sem nome, sem lágrima
Todas em nome do Deus
Pecados tombados, leis
Será tão surreal quanto se pensa?
Será tão exagerado quando se pinta?
Será tão contrastante com o que se ignora?

Atuações que merecem contemplações
Densas e extensas em suas danças e alianças
Metódicas, fluidas, alegóricas, ricas em conjunturas
Atuações que ascendem sem quaisquer complicações

Hulu em boas terras, enfim
Adaptação fértil e bem-feita assim
De um teor de zelo inegável
Surge um resultado formidável
Hulu ganhando créditos temáticos
Sendo marcante ainda que básico
Do sangue dos tecidos todos iguais
Traumas distantes de serem naturais
Hulu com fagulha que exige respeito
Produção entregue, completamente, direito
Até nos recortes o desconforto é coerente
Isso sim é contornar com habilidade resistente


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