Para crescer, é preciso mudar; para mudar, é preciso correr riscos; para correr riscos, corretamente, é preciso ter coragem; para ter coragem, é preciso crescer.

Coagida pela necessidade de continuar ascendendo nos quesitos agradabilidade e imprevisibilidade, a dupla de músicos ingleses conseguiu sair da zona de conforto e trazer uma nova roupagem psicodélica para suas letras recheadas de propostas alucinantes.

Ao lado do jamaicano Popcaan, Aluna e George entregam uma mesclagem eletrizante, que combina a sua consistência antiga com o elemento trash (rude, distorcido, mas não menos contagiante), jamais presenciado nas produções que compõem o álbum de estreia Body Music- dos dois.

O tempero oriundo do artista convidado é mais uma prova de que o intuito da música é se distanciar de suas irmãs mais velhas. Das interrupções rítmicas típicas do Reggae ao tom grave, porém atraente, do cantor, tudo culmina na edificação da sensualidade que permeia a narrativa reivindicatória de autoridade.

Mesmo mudando na textura instrumental, a obra lançada preserva a estrutura básica cultivada pelos parceiros. Esta se sustenta, basicamente, sob a dinâmica democrática estabelecida nos versos e nas nuances sonoras que os entrelaçam; assim, o risco da transição musical se encontrará, possivelmente, na perda de público por causa da adição de camadas graves e não tão fluidas, uma vez que a coerência permaneceu intacta.

I like crashing waves
But I want to see them at first light
After a long night
And see the sky take shape
But I want to see the stars burn
After I’ve had my turn

Evitando muitas ramificações na produção, George priorizou a permanência da voz soterrada por efeitos que lembram o ambiente aquático, pois só desta forma a explosão que vem junto ao refrão consegue injetar o efeito de choque e vigor pretendido.

Não tão ofuscada e embebida no infinito das sobreposições de agudos, a voz de Aluna brilha muito, embora esteja sempre abaixo do toque central, independentemente do momento. Se antes era difícil se concentrar nas palavras, é porque o foco era, no fundo, os sons, No entanto, agora o dilema é conseguir decidir se a ornamentação instrumental feita pelo não-mais-calouro é merecedora de estar à frente do espetáculo vocal.

O controle anunciado explicitamente é um vestígio da atitude dominadora e persistente que está sempre ativa nas composições da dupla, seja de maneira subjetiva ou fazendo menções a eventos únicos da vida. Contudo, se engana quem pensa que a força de vontade (se assim pudermos colocar) cuja utilidade é servir como tema para a canção é somente uma base para um discurso genérico; a identidade construída por AlunaGeorge orbita, orgulhosamente, pensamentos e ações que apontam para filosofias otimistas. Talvez, no futuro, essas intenções sejam mais diretas, podendo abordar temas como feminismo e orgulho LGBT.

If you’re picking up my call
Gotta tell you once you know that I’m in control
I’m in control
Don’t you know I want it all?
Put your hands against the wall
I’m in control, I’m in control
I’m in control

Depois de condensar, ao máximo, a suavidade estipulada em seu estilo inicial com o single “Supernatural”, os artistas estão finalmente pondo os pés em um inexplorado e desafiador território, que com certeza lhes aguarda com boas e produtivas surpresas, quem sabe tão prazerosas quanto o material executado até então.

Sem pressa, seguindo passos bem definidos e se firmando com o nível de ambição que lhes abraça, George e Aluna são dois exemplos de como as inspirações abstratas podem gerar acontecimentos auspiciosos.


Veja nosso comentário sobre o segundo álbum da dupla AQUI. Eles não decepcionaram na abordagem de alguns assuntos, mas tropeçaram na execução, ainda assim, merecem ser notados.

Anúncios