Transbordando saliência e misticismo

, Lostboycrown consegue entregar várias texturas que, além de se completarem, se elevam. Sem grandes rodeios ou trechos de irrelevância, “Love Won’t Sleep” recita uma situação emocional via versos encharcados em metáforas que exportam as características da natureza e as utilizam como utensílios de formação da mensagem central. No mapa dos sentimentos, chegamos ao ponto onde a persistência do amor está sendo posta na linha de provação, isso acontece principalmente quando os momentos mais árduos se fazem reais.

Uma introdução suave, composta por melodias orgânicas e densas, institui o clima de toda a faixa. Não só emblemática e convidativa, a configuração sonora inicial traz a ambientação psicodélica em uma roupagem não tão agressiva, o que garante a agradabilidade do rumo melódico tomado.

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Comandado por conjugações ordinárias e contundentes, os questionamentos lançados implicitamente durante toda a narrativa ganham diversos significados a partir da inclusão de novos fatores do relacionamento. Ao adotar um viés muito abrangente, a letra perde pontos na sintetização das peculiaridades do casal, com destaque para as suas dificuldades. Mesmo soando genérico em algumas orações, vale a pena explorar as tentativas do compositor de tocar nos corações de vários tipos de amantes seguindo uma neutralidade sóbria, afinal, o amor é, universalmente, complicado.

Put out these fires in my head space
Cause I’m wide awake
Why am I awake?
The city sits below and we take
…shots at the moon
I wanna give it to you

A complexidade instrumental se consolida através da alternância entre camadas dualistas que sucedem a primeira execução do período mais crucial, a transição de uma metade da canção para outra. Como se isso já não bastasse, os toques que vêm logo após são ainda mais instigantes e fontes de julgamento, visto que quanto mais tempo é dedicado aos elementos não verbais nesse gênero, em particular, mais chances de ser alfinetado o responsável pela mesma tem. Contudo, a curva é breve e, por incrível que pareça, deixa saudades; genialidade, sob uma pele estranha, dribla vários ataques.

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O tom de voz do jovem cantor surpreende nos quesitos consistência e versatilidade, pois nas primeiras frases os agudos são límpidos e atenuados, mas depois da execução do refrão, o sussurro empregado junto ao controle rítmico renova os traços misteriosos da canção. Não se tratando apenas de um exemplar alternativo, o single é fiel aos parâmetros que anuncia logo de cara e, em nenhum instante, ameaça distorcer a excelência da sensatez da produção. Mesmo na ponte -pré refrão-, quando a velocidade aumenta e a nitidez da voz é alterada, há um certo fio que liga essa parte ao semblante, digamos, oficial da obra que inspira curiosidade e reflexão.

Tell me is it so bad
‘Cause it hurts like that
When I think about it
We’re both cynics now and it
Kills me but I’d die for you anyway
Are you so scared
When it hurts right there’s no way around it
In too deep now
And we’ll never be the same

Entre demonstrações sólidas de talento e domínio do tema, Lostboycrow alcança um resultado impressionante, que o mantém no limite da previsibilidade e assegura seu respeito no meio em que ele se identifica. Desprovida de surpresas extremas, tanto positiva quanto negativamente, a faixa sob análise, no final das contas, gera uma sensação de conforto e valorosidade, esta se originando não só do carinho com o qual os atributos vocais do artista tratam o ouvinte, mas do conjunto animador formado ao fim dessa sessão musical abundante em linguagem poética e harmonia.

My love won’t sleep
My little ghost queen, keep haunting me
Wearing my heart beneath those rolled up sleeves
Where my eyes can’t see
Tell me what my dreams could mean
When my love won’t sleep, love won’t sleep

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