Recomeçar, começar
Do fundo do poço, solidão
O mundo não entende, não
Repensar, levantar, agir
Do pó, o brilho que teima
Do nó, o pavio que ainda queima
O talento é a corda que não se arrebenta
A persistência é o peso que se sustenta
O novo capítulo é a esperança que se alimenta

Mais uma história de superação?
Outra infelicidade vinda de traição?
De novo o murmuro alcoólatra da perdição?
E quem é inconsequente sobrevive ardente?
Quando a segurança da certeza dá rasteira
Quando a vida inteira deixa de ser verdadeira
Quando o apoio cai por terra e esfaqueia
Quando a pá de desilusão não é faceira
O que se pode fazer é fugir sem saber
Onde é a próxima parada de prazer
Onde poderão outra coisa dizer
Onde a decepção é ofuscada
Onde o 0 é promissor
Onde o vazio tem primor

Olá, narrador de jogos
Beisebol na veia americana
Olá, coração em destroços
Espinhos em toda cama
Olá, infames esforços
Curva amarga na fama
Corno, tosco, esquecido
Ridicularizado, assim, eternizado
Um dia símbolo de confiança
Agora piada em forma de lembrança
Será que há como reaver o respeito?
Será que o amor próprio pode ser reeleito?

A fotografia é bem organizada
Polida, brilhosa, claramente zelada
É irônica em relação a história contada
Não emana mediocridade em nada
Apesar de vir de orçamento inferior
Não se entrega ao seu baixo valor
Monetário, artístico, ordinário, proativo
É como se se negasse a jogar a toalha
Obtém sucesso, raramente falha

O texto é inteligente, sagaz demais
É incrível como ele satisfaz
Gatilho mal esfria e lá vem tiro
Não há nada melhor que isso
Principalmente numa comédia
Numa que não poderia ser diferente
Além dessa excelência da estética
Possui uma dramaticidade eloquente
São pitadas, entre as ácidas sacadas
Mas pertinentes, sempre convincentes
Pausas, mergulhos mais profundos
Retomadas da premissa, densidade do absurdo
A inverdade fica mais rica e memorável
Com mais ganchos, menos descartável

Tanto o protagonista, egocêntrico
Quando o elenco coadjuvante, nada ingênuo
Formam uma mistura simpática, minimalista
Transbordam a faixa das expectativas
Não há caricatura se repetindo à toa
Não há brincadeira vocabular que não seja boa
E todos conseguem ir além de seus perímetros
Provando que o roteiro não é pobre de espírito

E o que se espera não é surpreendente
Poderia ser mais óbvio, ou mais abrangente
Mas enfim, o saldo não é de se cuspir no prato
Pelo menos não engolimos personagens chatos
Sem esquecer que futuro é fértil de um certo lado
Talvez o centro se torne mais imprevisível e complicado
E a graça não se reserve apenas aos momentos
Talvez até exploremos estonteantes sentimentos
Mas se a criatividade vibrar com congruência
É inegável que ainda restará suficiência
Pelo menos há originalidade na solução
Isso é o mínimo, mas também é grande confirmação

IFC, quem te viu, quem te vê…
Fazendo bonito e com fluidez
Compilando com solidez

IFC, quem te vê, titubeia…
O mundo gira, ainda bem
Tomara que, assim, vá além

IFC, agora, sim, mandou ver…
Apostando no que é contraste
Passando longe de outro desastre


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