Sério, é meio que biografia
Tem tom afetivo… nostalgia
É o charme que sempre aflora
O passado relido na memória

Para o sucesso do negócio
Ícones à vista, brilhantes
Antes dos banhos de holofotes
Já doces, inconfundíveis, alucinantes

O que é puro, o talento
Cru, cheio de todo um alento
No meio do preconceito ardente
Eis que resistem sonhos nunca cadentes

Adaptação da verdade, da história
Do começo de um legado, uma glória
Honrando, em conjuntos, nomes e raízes
Passando por trechos esperançosos e infelizes
Já que o fim é algo mais do que conhecido
A criação parte de capítulos raramente queridos
Dando uma humanidade, humildade estreante
Àqueles que ainda hoje geram febres cintilantes

Elvis, Johnny, Carl e Jerry
Joias da música em botão
Na poeira, na incompreensão
Acorrentados pela dura supressão
Deitados sobre insatisfações peculiares
Tão dominados e tão alheios aos seus lares

Com toda a simpatia do apelo cultural
A série acaba derrapando na veia estrutural
Tenta apresentar tudo o que tem na manga
E acaba compondo figura inicial bem estranha
Sem tentáculos vívidos o suficiente para impactar
A narrativa não se arremessa dignamente no ar
Mesmo ampla, e familiar, e deveras representativa
Falha em instalar os atritos, os medos, as intrigas
Se perde no que já sabemos que irá acontecer
Falha em instaurar nova bela e forte fonte de prazer

A ambientação é tímida, mas competente
Não só nos sets, mas nas cicatrizes das mentes
No temor que vira raiva em um piscar de olhos
Nos corações que se impedem de serem orgulhosos

Fotografia que engole a luz
É verossímil, quem diria
É mero fascínio, que maravilha
Apesar de errar feio na nitidez
Traz amarelo queimado cortês
E se a saturação nunca chega
Pelo menos a trilha sonora aconchega
Se bem que isso é meio que o mínimo
Se tratando da temática e de seu destino
Mas para continuarmos relevantes, ora…
É preciso despertar mais apreço pela história
Cumprir o dever básico é mérito ordinário
Ir além do que se espera é valor ideal esperado

As atuações
Em sua maioria
São boas ilusões
Envolventes fantasias
Mas em outros momentos
As rédeas vão ao chão
Para geral descontentamento
Há mediocridade de interpretação

Orçamento baixo nunca é desculpa
O improviso também é prova de primor
Não tem como defender múltiplas lacunas
Se o produto final não é fértil, não, senhor

CMT e suas produções originais
Avançando com proposta covarde
Sem parâmetros muito originais
Fazendo entregas apenas de alardes
Era melhor apostar em algo menos real
Nem precisava ser transcendência total
Menos prepotência não seria nada mau


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