O quarto dos quatro
O último dos defensores
Finalmente sob seu holofote
Vejamos o que tanto aguardamos
Vejamos se a espera valeu a pena
Vejamos se esse punho é o anunciado

Homem que volta do nada, do nada
Homem morto que volta à vida
A vida que tinha na primeira
Na primeira vida, agora velha
Na velha que acabou do nada
Homem que nem tem sandália
Mas esbanja paciência extraordinária

Na cidade de egos gigantes
Montanhas de metal cinzento
Chega corpo confuso e cansado
Com olhar dócil e desorientado
Pedindo apenas um minuto de atenção
Pedindo apenas um toque de respeito
Querendo pôr os pratos limpos sobre a mesa
Querendo dar início ao seu terceiro enredo
Foi, morreu, e agora ressurgiu, reavivou-se?

Um começo mais clichê?
Um homem branco e rico?
Que ganha poderes e boa índole?
Que aprende à força a se rebaixar?
Que entende o valor de se destrinchar?
Como fazer isso sem soar repetitivo?
Como fazer isso sem parecer redutivo?
Como sobrepor o que veio bem antes?
Como fugir da execução redundante?
Como fazer o herói antes dele mesmo?
Como inspirar pelo padrão genuíno desejo?

É preciso muita habilidade
Para construir boa inverdade
Porque um tropeço leva a outro
Um desfalque enaltece o outro
Uma imperfeição mancha o ouro

A produtora veterana
Infelizmente, não faz algo bacana
Entrega coisa amadora, insatisfatória
Não instiga, não desafia nossa memória
Não incita, não desfia dimensões da história
Se limita ao mero, à recorrência da escória
O mal não é o que se faz em excesso
Mas a incompletude que se leva a sério

O protagonista, coitado
Quase nunca é carismático
Só fala as falas, e pronto
Só para nas vírgulas, e ponto
Mal sustenta os embates, encontros
Mal corrobora baques, estrondos
Alguns sorrisos prevalecem cativantes
Mas é aí que para a parte interessante
Porque o alcance dramático é bem pobre
Desse jeito os traumas jamais implodem

Os dois irmãos, por outro lado
Constituem leviano, convincente quadro
O homem alimenta as aparências
A mulher desnorteia as aparências
Ambos destilam veneno com eficiência

Os saltos e escaladas são fluidos
Bem que poderiam ser muitos
Porque a luta que plantada nos punhos
Infelizmente, não dá bons frutos
Fica na cara que não é natural
Pois não há óleo nas engrenagens
E ao invés de ser adrenalina acrobática
Acaba sendo show de imprecisão marcial

Netflix, tu te orientas
O que é isso, hein, miga?
Tu tá bem? Toma um chá
Relaxa, revê o que tu estás a entregar…
Desse jeito não tem como te defender
Produção preguiçosa é de foder…
Netflix, vê se volta ao teu primor
Os seus últimos dois da Marvel têm gosto de isopor
Revisite seus métodos e crivos e escolhas
Senão a maior notoriedade vai ser a explosão da bolha
Só porque estás na frente, não afrouxe a rédea, não
Só porque já chegou aqui, não se acha demais, não


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