Série antológica
Série biográfica
Série apoteótica
Série fiel à temática

Estrelas caindo do céu
Numa jornada de apreensão
Duvidando sempre de si mesmas
Criando pesos feitos de depressão

Trataremos da dor
Da que trazemos
Da que nutrimos
Da que erguemos
Da qual fugimos

Mesmo distante em questão de tempo
Não há perda de fator de envolvimento
A poesia não vem só do teor de nostalgia
Mas do que ainda é verdade hoje em dia

Dos corpos judiados, objetificados
Dos sorrisos comprados, descartados
Duas mulheres, famosas, ícones
Duas joias, belezas, declives
Picos de um ardor glamoroso demais
Donas do que começa a ficar para trás
Colidindo enquanto caem em solidão
Desesperadas pela tal da reafirmação

Não tem como errar, não
Com esse saudosismo em ebulição
Tudo muito coordenado, artístico
Veia que pulsa primor estilístico
O transporte para outro século, década
O foco nos pecados que ainda se peca
O brilho que vem desde a saturação plena
Até o preto e o branco de fortes dilemas
Até a sede por ressurreição no cinema

Um retrato feminino desses…
Uma acidez e uma vulnerabilidade
Uma força de franqueza e vontade
Um furacão de emoções desses…
E nada é simples, não realmente
E tudo tem camadas, todas atraentes
E são mulheres velhas, enrugadas
E são mulheres talentosas, sim
Na ficção e na realidade, sim
E não são só as principais
E como são, também, as demais
E como há uma jornalista
Além da que apenas auxilia
E como uma alfineta a outra
E como a outra ajuda sempre

Na fotografia
Muita simetria
Simbologia dualista
Angulação maniqueísta
Divide bem, depois mal
Antes machuca ninguém
Depois consola ninguém
Quem antes nutre igualdade
Depois fomenta instabilidade
Com grandes pontos brancos
E sombras negras volumosas
Os holofotes jamais brandos
E os choros sempre à mostra

Há exposição inteligente
Ditádica, mas não maçante
Há contextualização decente
Rápida, mas não decepcionante
E é coerente, crível, simplesmente
O modo como ela é feita apenas é
Nada extraordinário, mas tão sólido
Muito reservado, eficaz, insólito

Mesmo que alguns saibam
A realidade, o fim, as curvas
A novidade não é a história
Mas como se conta a danada
O que fica no pedestal
E o que é jogado da escada
O que é repetido com ênfase
E o que é apenas aludido

A ambientação está primorosa
Com a imagem granulada sedosa
E o figurino que brilha intoxicante
A falta de sutileza é estonteante

FX com mais uma antologia
Fazendo certo com mais uma antologia
Ryan Murphy e mais uma antologia
Mais qualidade em mais uma antologia
Isso sim é uma hegemonia
De pilares tão discrepantes
E ao mesmo, tão vibrantes
Juntos, numa visão cronológica
Separados, numa visão mercadológica
Tombadores numa visão metafórica


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