E lá vem mais uma adaptação
Saindo do cinema para a televisão
Com a tarefa de se ligar a um ícone
E se tornar outra febre, síndrome

Voltando atrás
Ao invés de reinventar
Tenta ser prelúdio sagaz
O difícil é colar, instigar
Sair do pico é perigo
Consolidar ou fracassar…
Padecer ou ascender…
Depende do que se quer mostrar
Depende do que se quer fazer
Depende de quando chega
Depende de como chega
Se é como manobra original
Ou próxima na fila banal

Se é para ter ação
É bom que seja a ação
Mesmo não sendo perfeita
Pelo menos, vejamos… bem-feita
Mas aqui… é engraçado
Infelizmente, por ser trágico
O modo como tudo é jogado
Como tudo reflete descaso
Aceleram a cena, se enganam
Aceleram a cena, não enganam
O embate fica plástico, irreal
O impacto é barato, nada letal
Sem vulnerabilidade
Sem credibilidade
Sem envolvimento
Sem contentamento
Sem emoção, sem imersão

Quando o foco vai para a família
Uma grande oportunidade brilha
Assim como as chances de armadilha
Pior do que não haver abertura decente
É ela existir e não ter aproveito coerente
Lidar com laços afetivos requer punho paciente
Quando a lágrima cai e o braço conforta
A simplicidade tem de dominar a hora
Nada de conveniências gigantes
Muito menos cortes absurdos, discrepantes

A fotografia sabe fazer inferência
Brincar com o espaço e a tensão
Pelo menos isso é feito com competência
Pelo menos essa é respeitável ilusão
Muito preto e azul e ocasional vermelho
Tudo com uma maciez de arrepiar
Tudo bem polido, com esmero, feito direito
Êxito à margem do soco do luar
O brilho da noite ecoa pela televisão
E a esperteza vem da inversão de percepção
O que se tem como costume cai por terra
A curva é sutil, mas brusca, concreta

Um grupo sem nome
Um grupo talentoso
Um grupo nas sombras
Um grupo malicioso
É ingrediente interessante
Daqui a pouco, maçante
Porque o desconhecido…
Não deve ser descrito
O pouco que se tem
Deve ser de ninguém
A magia acaba puramente
Quando há grande referente
Quando as ações não são plurais
Quando a ameaça não satisfaz

Pode ser que se distancie
Da praga do crime da semana
Mas não é bom que você confie
A capa da história pode ser sacana
Há uns traços de trajetória maior
De um tom que se valoriza realmente
Mas com os desfalques técnicos básicos
Não há nó de paciência que não arrebente

NBC em mais uma jogada
Mais uma atitude copiada
Mais um personagem genérico
Mais apelo meramente estético
Mais ausência de mulheres complexas
Mais inexistência de narrativa dialética
Mais um monte de sequência pronta
Mais um monte de emoção insossa
NBC querendo atingir alvo ultrapassado
NBC com um propósito nada válido


Anúncios