Onde todo mundo se tem
E quase nada é segredo
De repente, some alguém
Acaba o suspeito sossego

As páginas antes límpidas
Ganham significado macabro
O que era tradição íntima
Vem à luz estalo por estalo

Cidade pacata
História tão fraca…
Pouco cume, faca
Pouco tronco, farpa
Muita contemplação inútil
Muita condensação fútil
Narrativa mais que básica
Execução nada prática

Não há o que instigue
Realmente, a apatia reina
Não há o que encafife
Lentamente, a pobreza é eleita

No centro, novamente
Mais um ponto descontente
Uma detetive mal-encarada
Pelo passado atormentada
De acidez na emoção e falada
Se protege como consegue
Mas, de alguma forma, se fere
Mas, de alguma forma, prossegue
E acumula, e desmorona, e repete

Essa protagonista
Até poderia, quem sabe
Ser mais impactante
Se não fosse tão limitada
Pela sua própria jornada
A solidão não convence
E a apreensão não vence
A inverdade cai por terra
Quando sua fraqueza se revela
Cena a cena, mais dispensável
Cada segmento menos afável

A inconsequência é desespero
E uma hora vai haver grande queda
Tudo isso é tijolo já visto, costumeiro
É o que não se quer, pois já se espera

Não convence como mãe
Não convence como ex-mulher
Mal calça os sapatos de policial
Na verdade, é só um resto de mulher
O carisma da atriz atrapalha, sim
Mas a personagem não fica atrás
A atuação não tem começo nem fim
As nuances da figura? Não são, jamais

Do outro lado da insuficiência…
Faltam coadjuvantes de peso
Que tragam mais do que o texto
Que semeiem suas glórias e medos
Que brilhem sob qualquer contexto

Em um nível bem cordial…
O mistério tem seu valor
Mas nada fenomenal
Nada além da típica dor
Com simbologia religiosa
Com correlação perigosa
Não se trata de algo presente
Nem somente de algo passado
É um, simples, emaranhado
Que somente beira a integridade
Mas para ser atrativo de verdade
Teria de morrer e nascer de novo
Mergulhar de cabeça na coragem
Trazer mais de uma tonalidade
Costurar com várias linhas de conduta
Construir narrativa intrigante e profunda

A fotografia até surpreende
Movimentos condescendentes
Sem cortes, transições periféricas
Aposta nos vazios, esférica estética
Engole e cospe os personagens
Corrobora breve, limpa viagem

Na locação
Externa mente
Montanhas
Sempre prevalentes
Azuis e brancos
Como cachoeira congelada
Pintura viva, estagnada
Beleza pura, bem recortada
À noite, tudo turvo
O efeito é potente
Elegante é susto
O preto é coerente
A visão bem limitada
A proximidade adequada
A imersão genuína, nada barata
Interna mente, porém
O espaço é grande e de ninguém
Isso transmite a solidão tão bem…
Pena que não há extensão disso
Do sentimento além desse abismo

CBC apostando no comum
E cometendo erros de iniciante
Nem a premissa nem os personagens
Nenhum dos dois é excitante
CBC manchando o currículo assim
Com um drama policial todo normal
Focado na moça marcada por uma perda
Focada na mediocridade nada original
CBC, infelizmente, caindo na média
Perdendo um tanto de respeito
Poderia se dedicar mais à comédia
Ou fazer drama direito


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