Eu me faço
Eu faço
Até não poder fazer mais
Mais nada
Nada que me agrade
Mesmo querendo
Mesmo sabendo
Mesmo tentando
Implorando, rastejando
Simplesmente não posso

Renasço
À força
Há força
A força
Cada pedaço
De mim
Do que fiz
Do quanto chorei
Tudo some
Se esconde
Do bicho, do homem
Para a próxima vez

Ele retorna
Através de qualquer porta
Entra sem pestanejar, se anunciar
Desperta uma inquietude peculiar
Distorce minha forma de pensar
Ele me revolta
Me revira
Me desestabiliza
Tudo de bom
Não vem a mim
Assim
Como me portar?
Não sei
Pois me desconheço
Padeço
Quando ele retorna

Ele fica
Não sei até quando
Me faz triste
1. 2. … 3?
Me tira a paciência que não tenho
Sopra meus olhos
Puxa meu braço
Rabisca meu desejo
Me tem… desse jeito
Sem respeito
Do fundo do peito
Me assombra
Me marca
Me completa
Me escurece
Fica

Ele é de fases
De análises
Como eu
Ele é intenso
Extremo
Como eu
Ele não demora
Não se firma
Não permite
Que eu me acostume…
Comigo
Com meus demônios
Com a normalidade
Com a plenitude
Com a felicidade
Ele é de hoje
De ontem
De amanhã
Assim como eu
Ele é
Como eu

Ele se vai
Tardiamente
Mas vai
Ah, se vai
Deixa dor
Mata toda flor
Vomita meu último gole de amor
Respinga rancor
Multiplica o ardor
Mas vai

Por mais seca
Mais breve
Mais inacreditável
Mais sintética
Que seja
A paz
É verdade
Por mais sutil
Mais tímido
Mais escasso
Mais distante
Que seja
O conforto
É verdadeiro
Por mais extraordinários
Por mais momentâneos
Por mais alegóricos
Por mais mágicos
Que sejam
Eu e ele
Somos um

Fantasma sem forma
Sem padrões óbvios
Lendário
Fantasma com glória
Com meu brilho mais eterno
Inconsequente
Fantasma de aqui e acolá
Bloqueia minha única alegria
Indiferente
Fantasma que traz realidade
Extingue minhas saudades
Fantasma de improdutividade
Inútil

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