Ou é oito ou é oitenta, não tem espaço para dilema, e se quiserem problema, proponham teorema. Mas fiquem do seu lado, não tornem o simples algo inacabado, recuem e se afoguem em dúvidas, façam a si mesmos as suas perguntas. Ou é genial ou é banal, estonteante ou desinteressante, vale tudo ou é só imundo, barulho de ontem ou brilho de longe. Eis que ninguém tem paciência, ou é mediocridade ou é excelência. Meio termo é perda de tempo, é o terceiro movimento, é o que ninguém segue, é a carta jamais entregue. Ou é farpa ou é beijo, ou é repulsa ou é desejo, não tem como não se encontrar se a opinião não polarizar. Nada flui tão bem quanto o que é dito na superfície, esperar, averiguar não passa de pura chatice. Quem tenta se decepciona, porque a subjetividade nunca funciona, é gaiola que sempre se inova e nunca está certa ou errada, nunca está aberta ou fechada. Escolher apenas uma coisa é a melhor parte de toda coisa, porque partimos para forjar outra, e nunca mais voltar. Consolidar o que se sente simplesmente à primeira vista é perder o tempo de vista, o futuro vira furo e o passado é rejeitado. O presente é o único que se entende, infelizmente, felizmente, tudo é branco ou preto, dia ou noite, maravilhoso ou asqueroso. Só é bom se for bom ou ruim, se permanecer simples assim, se não for objeto de conversas, se não possuir trajetória complexa, se apenas for o que se apresenta quando chega a gente, se não desabrochar para além do que se identifica de repente. Rebobinar é se atrasar e prejulgar é se preparar, quanto mais certezas se solidificam, mais mentes a menos obstáculos se dedicam. E quanto mais fluidez houver em todo desenvolvimento de raciocínio, mais automática se torna a improbabilidade do tal do equilíbrio. Ou é saudável ou é só vício, ou é inquestionável ou é indefensível. O que se faz com a novidade tem que ser para sempre divindade e o que é cinza no meio de tudo que não se analisa deve ficar trancado junto à aquarela de quem nunca completamente nada (in)valida.

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