O segredo não é singular
Os segredos não são plurais
O turvo nunca não é só elementar
As incertezas nunca são banais
A névoa vem por todos os lados
E o título, tão nobre, cai em pedaços
Mas seu sentido, tão forte, fere
Não há esfera que a dúvida não penetre

Somos levados
A acreditar
Que tudo
Irá girar
Em torno
De três
Mulheres
Então, elas
Vulneráveis
Alvos estáveis
Alvos instáveis
Alvos da vez
E que vez
Alguém
Está
Morto

Os mistérios
Nada apoteóticos
Não gritam horror
Condensam o sabor
Não se entregam todos
Mas todos se relevam
Nem que por um segundo
Nem que por um olhar
Qualquer buraco fala
Qualquer nuance cospe
Qualquer tremor vale
A normalidade de cristal
É tudo… normal e anormal
A anomalia não diz “bem” ou “mal”
Curioso, tortuoso, sensual
Estranho, saliente, monumental

A estética tem seu auge
Seu primsor mais único
Quando guarda consciente
Sem jogo barato, gratuito
Ela se abre para mais fechaduras
Mas sempre há leques diferentes
Se o comportamento abre alas
A história logo abre as asas
Os espelhos temáticos se cruzam
E os reflexos são distorções imperfeitas
E a perfeição das relações é a sutileza
Tudo se conecta sem se conectar
Tudo rima sem ao menos se encarar
A poesia é fria e aconchegante
Ao mesmo tempo, crua e madura
Metálica, áspera, melosa, medrosa

O simbolismo
Não vem com saudosismo
Ao invés da beleza sem igual
A exorbitância nada surreal
Cortes, balanços, luzes
A confusão é imersiva
A confusão nunca é precisa
A confusão é precisa

A brincadeira, sacal
Um toque quase letal
O ponto de vista natural
A melancolia usual
Nada alheio ao padrão
É o que parece. Ilusão?
O real é o espetáculo?
O real nunca é seu?
A verdade é mais embaixo?

Papeis comuns
Dinheiro, maternidade
Superficialidade
Nada é peso de verdade
Nada é peso da mentira
Não é como não deveria
Não como não merece mais

Não há a famosa
Queda das máscaras
Mas das pistas
Mas não aquelas
Os pingentes
As fotos
As marcas
Pistas
As pistas

Fotografia irônica
Ácida como poucas
Sem enigmas grandiosos
Fotografia bubônica
Nos faz de trouxa
Sem traços pecaminosos
O que se tem é a maquiagem
O paraíso bem-conceituado
A dor vem em vazios ricos
Nada é o que é na viagem
Nem que seja bem firmado
O valor está nos riscos
Grandes céus azuis, mares
Verdes que não acabam
Brilho que não descansa
Flashes naturais…
Para atitudes artificiais
Se o sol reluz por fora…
O que morre por dentro?

Um elenco potente
É base consistente
Nada mais coerente
Do que elos ardentes
Seja na contemplação
No começo de discussão
No atrito, sopa de incômodo
No desconforto nada anônimo
A inverdade se torna algo mais
Quando atuações não ficam para trás
Pelo menos não no centro da combustão
Pelo menos não no olho de cada furacão

E como são silenciosas
Essas perguntas inquietantes
Quem? Quem? Por quê?
Sangue é dito, pensado
Não precisa ser mostrado
Osso é visto por retrato
Não há novidade no estrago
Um ferimento não é só um
Não começa quando existe
Não acaba quando apodrece
Uma narrativa com coesão
Uma narrativa sem coesão
A arte da intocável contradição
A magnificência de dizer mais “nãos”

HBO
Linguagem lenta
Assinatura estupenda
Montagem autossuficiente
Progressão renascente


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