Olhos, abertos, fechados, se desdobram como pétalas de uma flor sendo apreciada pela primeira vez. Dançam como páginas de um livro ao vento antes da última tempestade do verão. Oscilam como o vômito do projetor que esquenta a si e a mente dos que assistem ao filme na tarde de quinta-feira após o recreio. O corpo ecoa uma energia sem precedentes, sem igual, sem comparação. O tempo para e tudo que importa é o que nasce. A ideia pulsa cada vez mais forte, em soluços abruptos, divergentes, como se cada um deles tivesse uma personalidade, um peso, um significado. E tem. A faca nas unhas corta as paredes, as tecladas, a si mesmas, as bochechas rosadas diante do cubo de gelo hipnotizante que entra entre os seios e derrete na nuca a cada vírgula. Manhã infernal, madrugada celestial. Não há data que suplante o momento, não há dor que não se ajoelhe e se cale, não há mente que não se entregue e se converta, se sinta dona de si e nada mais do que um instrumento. O alvo é o protagonista, o mestre, o aprendiz, o centro e a periferia, o que se descarta e o que se enaltece; toda dualidade que se faça perceptível. A música é tudo que entra e sai, as cores que cantam dores majestosas em forma de vitórias incompreendidas até que a morte de sua fonte ocorra. Nada é fácil. A facilidade nunca foi desejada. Sentir-se além de si é algo tão excitante… Faltam adjetivos. Não importa quantos clichês venham enquanto tento explicá-la. Ela é toda dela, toda original, em mim, sobre mim.

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