Mulher que não se deixa dominar
Espalha audácia com naturalidade no ar
Inspira medo em quem de regras quer viver
Surpreende quem a julga pelo seu parecer

É bela e graciosa
Nos padrões de ontem
E fervorosa como nenhuma
Anomalia brilhantemente fiel
A si mesma e aos seus desejos
A liberdade é seu maior apreço
Ficar calada e quieta é o pesadelo

Numa estrutura minimalista
De meia hora, muito simplista
Temos um conto biográfico
Um sutil e charmoso retrato
De uma mulher que foi tanto
Que se orgulhou dos sorrisos e prantos
Que não foi apenas o esperado dela
Que desenhou forças, espetáculos, frestas

A poesia é nítida
Na melancolia
Na nostalgia
Na magia
Na narrativa
Até quando fria
Até quando forçada
Até quando desequilibrada
Até quando entediante?
Até quando estonteante…

Os males tradicionais
Ah, como são fenomenais
Suas correntes imponentes
Suas conjunturas ininterruptas
E como são loucas, as doçuras
Que ousam mostrar sua amargura
Seu jeito extrovertido de ser
Colocando, acima de tudo, o prazer

Os sonhos desabrocham no topo
São a nata até dos encontros mais toscos
Emergem como lembretes da insolência
Semente inegável de terna resiliência

E até é cativante
Ver uma mulher inconstante
Sem saber o que não quer
Sabendo o que não quer

Não quer apenas o normal
O papel doméstico, laboral
Os toques de recolher machistas
A ditadura das saias, das pistas

Mas é melhor ainda, se ligar
Para, a melhor ideia, não sabotar
Porque um roteiro básico pode ser frágil
Os pilares admiráveis, trágicos

Coadjuvantes fortes, onde estão?
Condensações mais realistas, onde estão?
Pluralidade motivacional, onde está?
Sensatez, mesmo na sensibilidade, onde foi parar?

A fotografia dá um show
De saturação e sustentação
Quando se entrega a um tom, fica
Quando escolhe oscilar, se lapida
Os amarelos são radiantes incríveis
Os verdes, dos mais sóbrios aos mais terríveis
São tudo que os olhos poderiam almejar
Numa série encharcada no charme, até no pesar

As idas e vindas da câmera
Dão um senso todo monumental
A movimentação é gloriosa e estranha
Sempre com um foco transcendental
Mesmo nutrindo um certo realismo
Não se pode negar o sentimentalismo
A forma como ele penetra todo conflito
Como se fosse o primeiro pré-quesito

Onde a fantasia acabada?
Onde a história começa?
Estão genuinamente entrelaçadas?
Ou é só enrolação, conversa?
Poderiam ter feito documentário
Algo consideravelmente menos dramático
Em vez de não saber como abordar…
Como, na trajetória, mergulhar

As reafirmações perdem o efeito
Deixam a pertinência e são só delas
Não há evolução num ciclo perfeito
Não há desvios, nem mesmo janelas
Parece que a fita enganchou e pronto
Parece que é só aquilo, mero, e ponto
O que inicialmente é tido como primor
Logo se torna uma massa sem sabor
E mesmo a duração sendo curta e ágil
Não há um aproveitamento muito hábil

Amazon errando na dose
Novamente
Aumentando expectativas
Decepcionando a gente
Amazon nos mesmo trilhos
De antes
Com suas insuficiências
Questionáveis… Constantes
Amazon com truques de iniciante
Querendo desafiar gigantes…


Anúncios