Outra rainha dos disfarces
Novamente, para abalar
Cheia de graciosidade e detalhes
Corações sempre a quebrar
Tem foco e vida anormais
Sempre com manobras sensuais
Aposta na beleza que ecoa e retém
Sempre pensando em ir além
Vai à beira, sussurra e quase pula
Mas não, apenas se finge de burra
Guarda segredos e truques e atalhos
Eleva as surpresas a níveis inesperados

Assim fica difícil não se apaixonar
E até nisso eles têm o que abordar
Que bom que a percepção é plural
Pelo menos essa parte é tematicamente original

Compartilhando o protagonista…
Os patos que pagam o pato
Os que ficam sem nada na pista
E se descobrem, após o baque, alvos
Um mais encharcado para o drama
Outro é ponto de comédia desde o princípio
Ambos complementam bem a trama
Trazendo para narrativa um bom equilíbrio

A habilidade
É a humildade
O fator minimalista
A construção maniqueísta
Nunca mirando na inovação
Mas na simples íntegra execução
O que é clichê vira perdoável
Porque a produção é tão respeitável…
Não tenta ser o que jamais será
Não ousa nos iludir com gritos ao ar

A fotografia tem momentos inventivos
Nada muito estupendo ou de primor criativo
Mas o que poderia ser apenas qualquer
Felizmente, com certos toques, não é
Planos-sequência aqui e acolá
Configuração emotiva de arrasar
Espaçamento e mescla de camadas
Conjunturas ágeis, férteis e bem arrumadas
Devoção aos pretos e tons mais escuros
Mas também àqueles clarões, todos abruptos
Embora a predominância seja sorrateira
Há momentos onde a iluminação não é faceira
Mas em todos os ambientes, há subversão
Novo significado em cada iminente ação
Reais peças de caráter em plena revelação

O roteiro é eficiente enquanto introdução
Mas não instala certos pontos com precisão
Parece jogá-los para provar certas condutas
Mas não as corrobora com dignas lupas
Temos uma noção do escopo das atitudes
Mas não provamos da verdade da amplitude
Alguns passos são rápidos e insensíveis demais
Nos deixam, do modo errado, querendo mais

Não existem tantos desvios de atenção
E isso prejudica a validez da produção
Porque enquanto nada surreal ocorre
O que deveria ser prazer, vira um porre
A brincadeira temporal, inicial, por exemplo
Teve o efeito de uma pétala ao vento
Bonita, sutil, envolvente, e mais nada
Apenas detalhe descartável da estrada
Tudo isso porque não houve mergulho na história
Não houve tempo para a emoção poluir a memória

Bravo trazendo algo consistente
Talvez não seja a coisa mais imponente
Mas possui seu charme e sua ternura
Não merece uma sentença tão dura
Apesar de não reinventar fronteiras
Também não reforça estúpidas barreiras


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