Reciclar ideias
Pode ser uma boa ideia
Mas se não há boas ideias…
Não merece haver plateia
Porque não basta reviver
É preciso se reinventar
Utilizar o que já é saber
E dele, surpresas, tirar
Porque simplesmente aglomerar
Referências em aleatoriedade
Não constrói insana inverdade
Só coisa que não vamos lembrar
Marcos crescem naturalmente
Não são forçados goela abaixo
O corpo tem que ser fiel à mente
Roteiro e tiros devem formar o compasso
E se, por acaso, houver embaraço
Que ele, felizmente, seja raro
Mas aqui, este, infelizmente, não é o caso
Quase todo impacto é só dele, barato
Na maioria das vezes, mal executado

Um desfalque retorna
A falta de carisma se renova
Logo em quem é essencial
Protagonista, de novo, ficou mal
Não tem como defendê-lo, não
Ele não vende nem metade da ilusão
Descarrila nas cenas mais dramáticas
Principalmente quando são estáticas
Só trabalha bem quando em movimento
A ação é seu único primoroso rompimento

A estética é interessante
Isso é inegável a todo instante
Mas, de novo, não é original
Ser boa não é nada anormal
Apesar de ser um ponto positivo
Como contribuição geral, não digo isso
Até porque para valer a pena tem que ser mais
Faz o mesmo de antes, a mim, não satisfaz

Tanto a trama quanto o elenco
Quando no núcleo da família
Não foram fortes eventos
Ficaram abaixo da expectativa
Mesmo a série sendo de combate
De procura por justiça e verdade
Fica a lacuna na qualidade plural
Apreço pendurado em menos um fio emocional
Se o elemento é existente
Este tem de ser consistente
Mesmo que breve e meio irrelevante
A eloquência tem de ser vibrante
Lembrando que estamos no começo
Onde as fibras devem ser mais imponentes
Mas se logo de início temos esse mal espesso
O que esperar dos capítulos subsequentes?

Uma presença feminina se destaca
Com suas ações excitantes e palpáveis
Luta com inteligência, cala, não mata
Com cenas curtas, mas todas formidáveis

Algumas apoteoses
Mesmo embebidas em cortes
Possuem seu valor de imersão
Seriam melhores sem tanta confusão
E a verossimilhança também seria boa adição
Até porque o bom senso nunca é demais
Certamente tornaria os medos mais reais
Porque quando sobreviver fica fácil demais
Os perigos e os confrontos ficam menos surreais

Um vilão interno é interessante
E motivações turvas também
O problema são os tentáculos desimportantes
E as expansões que não levam a ninguém
O trauma psicológico tem sua relevância
Configura trêmula instigante instância
Mas quando há vício em sua dependência
A narrativa sabota sua autossuficiência
Então o que antes era algo refrescante
Em poucos passos se torna maçante
Pois a falta de desdobramentos variáveis
Corrobora um desenvolvimento de eixos miseráveis

De bônus
Personagens pingentes
Decorativos, opacos
Projetos sem profundidade
Pinceladas medíocres da inverdade

FOX, amiga
Para de ser ridícula
Aposta, inova, não imite
Redefine seus limites
Varie suas abordagens
Enalteça outras viagens
FOX, se for trazer de volta
Não apenas pinte a porta
Mude a os desenhos da moldura
Seja maleável na largura
FOX, fumou o quê?
Pare de retroceder!


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