Se eu sei que não posso saber tudo, por quê ainda me tormento com o pensamento de que nunca saberei nada? Se a validação das mais variadas dúvidas deve ser vista como um refinamento da percepção, por quê ainda a vejo como um impedimento de me tornar alguém melhor? Que critérios anônimos são esses que me fazem sentir tão mal em relação ao que estou fazendo com meu intelecto? Por que é tão mais fácil ler sobre subjetividade do que praticá-la com a autoconfiança que decora os versos mais bonitos sobre paciência, ceticismo e averiguação da realidade? Mesmo com a ida e vinda dos anos, sou menino, ainda… Ainda engatinho nas concepções e tropeço em algumas definições, porque ao mesmo tempo que aprecio as reticências, tenho medo de elas não serem bases fortes o suficiente para sustentar meu salto em direção à outras plataformas de compreensão. Se eu sou tão capaz que estou a fazer esses questionamentos a mim mesmo, por quê não simplesmente parar de me duvidar e continuar a esmiuçar o mundo que se transforma em mim e à minha volta? É tão mais poético quando a gente não é o protagonista na parte mais árdua do conto, e quando esse ápice de desconforto não dura aparentemente por mais tempo do que aparentemente deveria. Mas teimo e tenho fé. Não encontrei, mas mantenho ávida a procura pela poesia em tudo que faço, que não tenho a mínima noção de como começar a fazer, que sinto que já é parte de mim (só que adormecido), que é osso do ofício de viver em sociedade… Sou mais de minhas perguntas do que de minhas certezas, e isso dói, mas é o melhor cenário que eu consigo (a)firmar, ainda bem.

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