REFLEXO DO POST “Choque -27-

Quem sou
Não sei
Verdadeiramente
Mais de um corpo
Uma boca vermelha
Um vaso imperfeito, quente
Um número num documento
Quem serei
Me diga
Me negar
Se me fizer de morto
Se não encarar uma correnteza
Sei que nunca é seguro
Mas sempre me penetra como certo
Não é a rota mais popular
Mas meu coração vibra
Meu olhar treme de prazer
Meu olhar treme de temor
Cada curva que desenho
É um perigo que abraço
E uma certeza que pontilho
Nunca deixa uma dúvida de lado
Duvidar é parte do abraço
Não sei de tudo sobre tudo
Nem de mim, nunca soube
Nem da missa a metade
Por isso, sou coitado
Mas também, rei
Da insegurança
Da claridade
Da dificuldade
Da força de vontade
Mesmo levando porrada
Mesmo sozinho na estrada
Mesmo sem apoio sincero
Mesmo sem massivo esmero
Louco, continuo, intrépido
Só para cair de novo
Mas quem sou
Não é levantar de novo

E sangro
E o imponho
E me desmonto
E me reergo
Nada termina
Completamente
Nem a dor
Nem a ignorância
Nem a aflição
Nem o começo
Nem o sagramento

Há gotas espessas
De orgulho sem nome
É puro, e cru e honesto
Nada se compara
Ninguém controla
Vem do movimento
Do sofrimento
Do conhecimento
Dos autos e baixos

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