As notas são boas. O ano chegou. Mas. Não sabe o que quer além do fato de que não quer o que querem. Mais de dez testes de vocação, mais de dez noites com mais de dez abas abertas sobre mais de dez profissões. Feira de orientação profissional, palestra sobre sucesso profissional, conselho sobre visão ambiciosa e segurança profissional. Ambiguidades permanecem, se multiplicam. Desconforto cresce! Ansiedade? Ainda firme! E pressão de todos os lados, como nunca, como num clímax de um suspense incrivelmente bem escrito. Primeiro a ter a oportunidade, primeiro a ter o peso da responsabilidade, primeiro a se sentir oprimido pelo grande passo em direção a felicidade, ao que se entende por felicidade. Família orgulhosa, família curiosa, família insistente, família indiscreta. Conversa com professores, rígidos e amigos. Soterrado com opções e questões. Inscrições. O dinheiro é tão importante, mas tão importante? Parar para respirar e se encontrar por um ano? Parar para experimentar e tropeçar sem medo durante um ano? Um ano. Desperdiçar um ano? Decepcionar? Só existir e se imaginar com calma? Um ano? Como começar a procurar pela resposta certa se todas as indicações são todas, em um fiapo ou vírgula, incompletas? Como confiar que os espaços serão preenchidos com o tempo se o tempo passa e nenhuma lacuna é extinta do que jeito que se deseja? Como parar de duvidar de si mesmo se esta é a primeira vez que as dúvidas são maiores do que quaisquer outras? Como se achar capaz de ser feliz em uma só gaveta se nenhuma delas chama o seu nome? Por que tem que ser tão difícil? Por que justamente com quem sempre viu o lado bonito da vida? Por que um talento não se sobressai e o leva até o outro lado do pântano de incertezas? Por que tanta indagação… Como se já não houvesse demais.

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