Ah, como queremos tanto de nós mesmos, como simplesmente não conseguimos separar nosso bem-estar da falta dele. Quanto mais aprendemos sobre o mundo, mais percebemos que há muito mais a ser discutido do que imaginávamos em nossos delírios juvenis. Em mais de um lado da mentalidade, a ignorância é bênção. Quem não sabe da missa a metade sobre a sua realidade, não sofre com a noção de que a justiça nunca foi o elo mais forte de nenhuma sociedade, não verdadeiramente, integramente. Quem sabe que nunca saberá tudo que precisa saber para ser um cidadão completo intelectualmente está no melhor caminho já pensado, apesar de jamais poder dar o pontapé fomentado pela elucidação da escuridão que nos corrobora. E quem sabe da podridão do mundo e se faz de desentendido, ou por estar na zona de privilégio ou porque se desencontra tão perdido na sarjeta de todas gavetas segregatícias que não acredita que pode causar alguma mudança nem mesmo em si mesmo; esses últimos sempre foram parte das engrenagens mais potentes dessa máquina movida a desigualmente que chamamos de passado e presente e futuro. Às vezes, faltam-me palavras para descrever a desilusão. Adormeço enquanto me afogo em decepção e desengano. Sinto pena e inveja dos que sabem apenas o que lhes deixam saber. Sinto pena e inveja de quem se sente mais por ter e controlar mais. Sinto pena e inveja de quem consegue se manter indiferente enquanto poças de lágrimas viram rios, que viram mares, que fervem e alimentam o vício que temos na mesmice de nós mesmos.

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