REFLEXO DO POST “Literal mente (6)

Ninguém me entende
Eu só queria ser eu
Não agora, não tão fraco
Como antes, altivo, prático
Sem tonturas, enjoos, desmaios
Páginas turvas, constantes buracos
Eu não sei como ser eu agora
Tudo que me fazia feliz está indo embora
Eu não sei ser velho com alegria
A naturalidade do meu corpo me causa agonia
Eu queria burlar o tempo e só sorrir
Não queria estar preso ao mal em mim
Queria visitar rodeios, não consultórios
Queria viver faceiro, não sob vários olhos
Eu sei que querem meu bem, mas…
Eu só quero o único bem que conheço
Não vejo nada além do meu único ápice
Eu vivi sob glórias agora tão intocáveis
Não plantei sementes para esta fase
Nunca pensei que chegaria a ser tão grave
Morrer jovem não só em espírito
Eu fiquei iludido com tudo isso
Agora eu não sei apenas aceitar
Sempre tenho algo a querer, relembrar
Não consigo, outros esmeros, nutrir
A tristeza sai, como rancor, de dentro de mim
Eu lamento e eu me escondo e evito me abrir
Porque sou homem e não deveria ser assim
Minha masculinidade não me deixar chorar
Mas tudo que eu queria era poder chorar
Sou o patriarca e carrego tanto peso
Não posso assumir meu desespero
Seria um baque, um grande erro
Minha imponência é o que resta
Tenho medo do que sou sem ela

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