Abramos as mentes
Escancaremos as bocas
Gritemos todas as verdades
Não guardemo-nos para nunca
Deixemos a humanidade fluir
Sem injetar a conformidade
Sintamos o fogo da sinceridade
Como é bela, fervorosa, maldita
Queiramos mais de nós mesmos
Mais do que ninguém aprecia
Longe de todo o clichê, da folia
Alheios ao padrão de megalomania
Sintamo-nos nossos, finalmente
Desprendamo-nos das superfícies
Mergulhemos em nós mil vezes
Descubramos o que jamais compramos
Não finjamos prazer ou educação
Não nutramos hipocrisia viciosa
Não camuflemos nossa imperfeição
Não vivamos uma vida mentirosa
Entremos no fator mais ordinário
Beijemos nossas peculiaridades
Celebremos o que há aqui, agora
Não o que não fomos ou não temos
Sejamos mais do que letras e números
Sejamos mais do que nata de mesmice
Vivamos o nós mais nosso e puro
Mesmo que digam que é pura sandice
Transcendamos o que já é nosso
Façamos novos pontos de consciência
Alimentemos variações de julgamento
Pensemos, juntos, em múltiplas independências

Se a realidade for má
Amarga, difícil de encarar
Façamos caretas, acariciemos o ar
Abracemos a dádiva de não ser vazio
Pulemos em nossas lágrimas em rios
Orgulhemo-nos de cada noção, sólida ou sutil


Inspirado no filme “Capitão Fantástico” (2016)

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