Trabalhamos com omissão
Com sagacidade na guarnição
Fomentamos a doçura da ilusão
Não frustramos ao nutrirmos deturpação
Somos puros e fiéis à toda a configuração
Enaltecemos o poder de todas as camadas
Canonizamos o que há de melhor na indução
Inspiramos vício nas sutilezas de olhares e falas
Não é fácil, mas obtemos êxito com dignidade
Não é difícil perder o respeito em tal subjetividade
Mas conseguimos sustentar tudo o que apresentamos
Até aqui, nada perdemos, apenas instigamos, imaginamos

Um protagonista misterioso
Parece que só sabe ser autossuficientes
Com cicatrizes, ele se prova perigoso
Rasga mais de uma atitude ardente
Tudo feito de modo muito eloquente
Em um ritmo lento, mas deveras envolvente
Não entendia. Fascina, instaura atípico prazer
Ficamos e o acompanhamos mesmo sem muito saber

Um pouco de tudo
Um pedaço do fruto
Uma imensidão bem curta
Uma contradição de curvas

Um grande estalo de época
Timidamente ecoando charme
Com classe, cortando pétalas
Exprimindo vermelhidão das classes
Uns pilares são criaturas inanimadas
Outros causam caos sorrateiramente
Os primeiros impactam com suas almas
Os segundos desenvolvem hipócrita mente
A escuridão vem de muitos focos e pontes
De transições lamacentas e banhos de velas
Histórias apenas anunciadas, tocadas de longe
Que já queimam cortinas, quebram mesas e janelas

A hostilidade é normalidade
Chave para qualquer interação
A novidade fica em cada personalidade
Em como cada um perpetua sua razão

A acidez vem mais de uma vez
À beira do mar e na prisão da solidão
Como mecanismo de inegável motivação

A fotografia é bem generosa
Em seus tons negros cremosos
Nunca muito afoita, mas gloriosa
Condensa climas vários, todos tenebrosos
Forma um dualismo lindo, com o azul
Também macio, também mórbido e cru
Em meio a fumaça, a névoa, a megalomania
Fundamenta um tipo agradável de agonia
Além de todo o esplendor na paleta
Ainda há trunfos perspicazes à espreita
Ângulos que ilustram bem os instantes
Dando ainda mais vida ao roteiro excitante
Tornando-o menos flácido, mas estonteante

A história peca nas ramificações
Não pincela todas as maiores intenções
Deixa o protagonista no canto mais inseguro
Assim é impossível não ficar meio em cima do muro
Todos os passos do homem imponente são críveis
Mas em questão de tempo, talvez, esquecíveis
Se no futuro, mais dele, não vermos mais fortes
Sua relevância terá gradual merecida morte

Os coadjuvantes familiares são fracos
Não funcionam bem além do primeiro momento
Têm falas esperadas e de arranjos estáticos
Não contribuem poeticamente para o desenvolvimento

Mas há mais acertos
Do que simples tropeços
Há mais joias no berço
Do que imundos cortejos
O olhar trêmulo da irmã
O ritual inoportuno
Os pavios do passado
Os segredos do túmulo
As palavras de outro mundo

Misticismo?
Simbolismo?
Masoquismo?
Pode caprichar!

BBC, FX
Produzindo juntas
Uma obra encorpada
Bem conduzida, ambientada
BBC, FX
Com seus dramas, ícones
Inverdades supremas, longos filmes
Entregando mensagens atemporais
Fazendo escolhas sensacionais
Sendo conscientes e contemplativas
Abraçando outra apaixonante iniciativa
BBC, FX
Estão de parabéns
Vamos ver aonde chegamos
De onde saímos, já gostamos
BBC, FX
Vejamos o que estão guardando


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