Entremos na fantasia
Na história já consolidada
Entre milhares de alegorias
Demos uma nova forma à estrada
O que já é clássico e atemporal
Ganha uma nova era, corpo, leitura
Um novo dialeto, monumento visual
Transbordando outra grande procura

O que se tem
O que se quer
Pilar, dilema
Nada qualquer
O nome com D
O caminho amarelado
O mundo todo novo
O festival de achados
A natureza mágica
As raízes lendárias
As ações involuntárias
As consequências revolucionárias

Eis, então
Heroína instantânea
Heroína, então, única
Eis, em si, busca
Eis, em tantos, lacunas
Eis, em tudo, mistério
Eis, em OZ, conversões
Desmitificações de limitações
Descobrimento de habilitações
Desenterramento de mais questões

Aqui, na TV, há vantagens
São tantas, é fácil se perder
A relevância é escassez estonteante
O ritmo é armadilha mais que normal
O que se quer e o que se obtém…
O que se faz com o que já se tem…
Uma nova versão seria inteligente?
Essa nova versão seria contundente?
Ou apenas uma tentativa nascida morta?
Ou outro ultraje como isca para esmolas?
Tudo depende de como se chuta a bola…
Do tamanho da sede, da boca que devora
O quanto se adianta e o quanto se demora
Tudo é questão de equilíbrio, do agora
Nada de promessas para uma outra hora

A narrativa não é das mais sagazes
Trata a veia central, mitológica, mal
Instala-se com rapidez ríspida, surreal
Esmaga as faíscas de identificação natural
A narrativa não é das mais sólidas, eficazes

O roteiro tem muita coisa
Poucas delas dizem algo
Pouco do algo vale algo
No fim, apenas enchem sacos
Neles, nada muito além do óbvio
Nada que fertilize a imaginação
Nada que semeie lúdica construção
Nada que reluza ao tocar nossas mãos
Nada que floresça ao fermentar reflexão
Nada que cresça ao ser exposto à admiração

É simples e abrangente
Ao mesmo temo, infelizmente
É dispensável e intransigente
Mal faz, mal entrega, só vai em frente
Sem mapa literal, ou intuitivo, ou metafórico
Sem rumo poético, multidimensional, melódico
Sem trunfos meros, medianos ou apoteóticos

A fotografia é muito comprometida
Por depender de inúmeras ilusões
Ao não exibir todas as contrapartidas
Decepciona com ambíguas decisões
Escurece demais, acelera demais
Embaça demais, transita demais
Foca de menos, averigua de menos
As verdades cruas são raros momentos
No fim, borrões são o que mais temos
Raios de luzes alienígenas e inconvenientes
Formas estranhas, ao invés de cativantes, incoerentes

Os atores não creem
No que dizem
No que fazem
No que vivem
Enfim, em quê?
Não esclarecem
Não se redimem
Não recomeçam
Não se levantam
Não se explicam
Apenas ficam
Sem crer na essência
Sem fingir com decência
Exalando a imensa deficiência

Protagonista fraca
Amplitude desgastada
Imperfeições acentuadas
Contribuições engessadas
Protagonista sem garra
Protagonista sem graça
Protagonista decorativa
Protagonista… Protagonista?

O sem-memória
O corpo delicioso
O resto vergonhoso
O rosto mais genérico
O papel de praxe, básico
Outro insosso trajeto

NBC
De uma, duas
Ou cancela ou piora
Ou assassina ou explora
Ou extingue ou espreme
NBC, pode acertar
Numa questão delicada
Mas com isso, nunca
É melhor não contar
Sorte não é suficiente
Para o problema em mente
Demorou e desapontou
É só outra estreia insuficiente


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