Meu verso é nosso
Conosco, tudo toco
Beleza de todo troço
Retiro com ardor, glória
Escrevo calor, memória
Sem pudor, do topo, da escória
Faço todo tempo agora, memória
Seja futuro ou coisa antiga, escrevo
Tudo vira coisa linda, violento desejo
As dores, o caos, a felicidade plena
Os cortes, os saltos, os vários dilemas
Você se amarra no que eu amarro
E em nós, nossa noção, nunca acabo
O ponto final, meu bem, é o começo
Em mim, em ti, sempre há apreço
Lugares que bebo, vomito, enlaço
Mares que podo, que invento pedaço
Inverno alienígenas como metáforas
Minhas letras nunca são estátuas
Me desmonto sempre que posso
Ainda bem que meu verso é nosso

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