Com apenas algumas alterações
Temos o mesmo teatro dispensável
Resolução de crimes de limitadas proporções
Tudo envolto numa narrativa intragável

Caso da semana
Epifania da semana
Espetáculo da semana
Caso da semana

O procedural, mais uma vez, de novo
Novamente, mais um pouco, meu povo
O vilão e o mocinho e a enrolação
O drama sem peso, sinceridade, ou comoção
Pelo menos com o que vale, com coração
Falta tudo que poderia significar satisfação

É esquecível
Desde o início
Descartável
Pobres enunciados
Habilidades fúteis
Banho de nomes grandes
Festival de frases de ninguém
Assim, ficamos assim, vamos assim

Os mistérios são desimportantes
Em níveis básicos, nos primeiros instantes
Não semeiam relevância mínima, cortante
São meros detalhes nada brilhantes
Assim, o charme é irreal, não monumental
O fator maniqueísta nunca elucida grande pista
O que se tem é trilha feita de queda de interesse
O segredo para ser inquietante certamente não é esse

Este é mais um exemplar tradicional
Com montagem extremamente pretensiosa
Faz uso, inútil, de uma linha temporal
Só para entregar verdades bem preguiçosas

A direção tem escolhas estranhas e ineficazes
Oscilações gratuitas, altos e baixos sem cor
Mesmo os eventos sendo sólidos e lineares
Não há nada além, nem doçura, nem ardor

Os truques de agilidade
Com a câmera para todo lado
Não são ataques de criatividade
Mas impulsos que custam caro
Pois o sentido narrativo
O fio condutor da história
Não é nem um pouco vívido
Extingue sua própria escapatória

Com a falta de cenas de ação dignas
O que resta de grandioso é o velho drama
Mas sem tempo de tela para as falas se firmarem
O que se tem ao fim de cada segmento vai à lama
O eixo traumático e humano se perde na sintetização
Fica fácil apontar as inverdades fracas da produção
A forma apressada como as emoções são dispostas
O abrimento precoce de ambíguas brandas portas
Quando se diz algo sem base, não há impacto
Quase nada se mexe, muda, transforma os fatos

Desfalque não é só na amplitude
Mas na temática usual demais
Na mediocridade dessa sua pelagem
Na execução costumeira, nada de mais

Os personagens são só cascas
Só tarefas metamorfoseadas
Suas bocas são instrumentos
Seus dedos não ficam atrás
Tenho pena de seu envolvimento
Do quanto sua força não é existente
As motivações também não dão sinal de vida
Credibilidade mandou lembranças apáticas
Tons pastéis e tecnologia insensata
Ingredientes mais que íntimos, chatos
Não há identificação para com o público
Não há ícones imponentes em seus tronos
Apenas rostos de meia idade resmungando
Apenas outro roteiro reciclado, cheio de retalhos

A fotografia e a trilha sonora
Quem dera contassem alguma glória
São só padrões trabalhados à exaustão
Métodos fracos empregados sem precaução

Outro protagonista
Outro cheio de si
Um tanto menos robótico
Mas não tanto, calma lá!

CBS, ao mesmo ponto
Volta e se repete, bate ponto
Mesmo processo e pronto
Transmite e investe uns trocados
Não estica o braço, a mente, a boca
Diz as mesmas dadas pálidas coisas
CBS, erra ao não se permitir errar
CBS, no conforto, continua a se enforcar


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