Antes, qualquer coisa
Palavras, piadas soltas
Satisfação vinha, brilhava
Questões eram realmente raras
Se entreter era simples, rápido
O crivo era menino, inocente, básico
Os sabores não tinham nuances apontadas
Os perímetros não tinham dimensões analisadas
Mas o tempo vem e leva a facilidade das coisas
Agora elas não podem ser quaisquer coisas…

Sempre, por favor
Uma pitada de bom humor
Seja ela distante, ou bem frequente
A quero vívida, ávida, pertinente
Pode ser negra, boba, letal
Antes de tudo, sempre, anormal
Eu quero rir surpreendido com o toque
Com a forma como minha mente se deleita
Quero não me importar muito, e muito
Quero sentir a força de cada fatia do intuito

Perifericamente, também sempre
Quero ficar contente, mesmo quando deprimente
Quero me alegrar com a iniciativa, a tentativa
Quero me orgulhar em identificar a tal da ferida
Com charme, também sempre, quero gente
De corpo, alma, representação digna, decente
Não tradicional, não tão usual, mas ardente
Sabe, quero fisgar cada atitude condizente

Na quase uma hora dramática
Ou nos vinte minutos satíricos
Aprecio acidez em toda a temática
Ironia também é um bom compromisso

Brincar com proporções é uma aventura
Misturar emoções é doce híbrida loucura
O cuidado nas medidas é uma arte perigosa
Uma colher mais afoita pode ser a pior das manobras

Não basta ser competente
Precisa transcender fator atraente
Ser original, pelo menos minimante
Introduzir elemento um tanto diferente
Coisa que chegue e inspire curiosidade
Que fuja de fórmulas de pura mediocridade
Que seja semente de uma grande jornada
Que vá muito além de uma apoteótica primeira sacada

O intelecto, mais maduro
Fala direto, se mostra astuto
Não se contenta com absurdos
Não perdoa erros antigos, estúpidos
Ele quer mais do que emoções prontas
Almeja relacionamentos complicadíssimos
Entre o bem e o mal, ele quer maleabilidade
Construções humanas, de rumos incertos, distintos

Já não basta estar na moda
Já não basta ser de nicho
Já não basta se passar numa escola
Já não basta inventar mundos e bichos
Já não basta ser a novidade da vez
Já não basta tecer uma rede luminosa
Já não basta se sustentar com o “talvez”
Já não basta ser configuração preguiçosa
Já não basta entregar pistas aleatórias
Já não basta ter o elenco mais sarado
Já não basta contar apenas uma história
Já não basta ter apenas um culpado

Ei, foi, tchau
Nada mal
Passageiro
Afunilamento
Entendimento
Correlações
Inferências
Conhecimentos
Lógica inerente
Coerência reflexiva
Refração compreensiva
Ei, olha, espia
Lição na fantasia
Aprendizado na folia
Paz na megalomania
Séries são universos
Uns mais precoces
Outros mais completos
Uns mais respeitáveis
Outros mais descartáveis
Séries são séries de coisas
Umas lucrativas, indutivas
Outras redutivas, inúteis, fúteis
Umas para mim, agora
Umas para mim, outrora
Umas chatas antigamente
Outras excitantes atualmente
Tchau, minutos e episódios
Olá, festanças e velórios
Técnicas e escolhas e estruturas
Intrépidas considerações e criaturas
PLAY no que é bom e no que ruim
Permanência ou desistência, só depois do fim
Justiça por todos, do topo ao fundo do poço
Séries são pedaços de mim, sim!

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