E lá vamos nós, de novo
Com um contexto todo torto
Simplista no pior sentido
Chato ao ser, demais, explícito
Sem espaço para charme perspicaz
O que transcende é banalidade surreal
O tempo vai em frente, os erros vêm de trás
Narrativa e roteiro de cunho apenas sacal

E lá vai ela, na estrada
Escada abaixo, no rumo dela
Protagonista desorientada
Em tudo, desorganizada
Não liga para quase nada
Quase sempre meio embriagada
Sem casa, sem valores óbvios
Inserida numa realidade absurda
Da falta ao exagero de riquezas
De brinde, inusitada labuta
Cuidar dos sobrinhos mimados
Lucrar aqui e acolá, um bocado
Aproveitar tudo e muito mais
No fim, nutrir gestos antes anormais

Com segmentos clichês, exagerados
Não há buracos a serem contemplados
As piadas são previsíveis e ineficazes
As atuações são reféns das frases descartáveis

Um dos maiores apelos
A sátira com pessoas ricas
Não sabe se grita ou sussurra
No fim, engancha a tal da fita
É somente cartada nunca dada
Engenhosidade meramente ensaiada
Arma secreta falha, jamais disparada
Eixo de construção tediosa, alienada

Dos personagens mirins
Dois caem muito basicamente
Um, por ser apenas resmungão
Rígido ao extremo, jamais envolvente
A outra, por ser absolutista e abrupta
Faz alarde, faz careta, rebola a nuca
Além disso, nada mais, nada além
Os dois são apenas coisas de ninguém
Pilares que deveriam ser flamejantes
No fim, reles estacas bambas, desinteressantes
O que se promete, em ambos casos
Nunca é realmente, robustamente, entregue
Cada cena omitida é um corte na série
Um defeito imperdoável em seu cerne
Apenas o caçula, coitado, gera lucro
Mas não é dos mais viciantes, ou astutos
Fofo à primeira vista, bem calibrado
Talvez seja, talvez não, a boa garfada de todo o prato

Atitudes atípicas
Infância caricata
Cascas bonitas
Luzes forçadas
Compromisso sem nexo
Retrato ainda incompleto
Nitidez ainda questionável
Acidez sem suco agradável

Onde está a comédia?
Nas mesmices em peripécias?
Nas faltas de vergonha flácidas?
Nos ápices que são só migalhas?
Onde estão os risos honestos?
Os vindos de diálogos espertos?
Os que vingam e ficam na memória?
Os que são partes integrais da história?

Parece que sim
Que as coisas ruins…
Oh, céus, de novo, sim
Voltou a fórmula insossa
A medíocre mesma sopa
Receita explorada, batida
Noções desgastadas, sofridas
Repetição das repetidas tentativas
FOX, por favor, não brinca
É ano novo, para de preguiça
Faz coisa nova, mas nova mesmo
Não atiça a repulsa, mas sim o apreço
FOX, para, que continua feio


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