Eu nunca me pensei
De forma tão simples
Numa rotina tão feliz
Eu nunca me amei
De forma tão natural
Numa frequência tão sólida
Eu nunca me entreguei
A uma causa tão nobre
De forma tão perspicaz
Numa visão tão sábia

Essas coisas, ainda bem
A gente jamais planeja
A gente jamais planejará
É coisa tão bela e intocável
Só dá para ser vivida, e como dá…

Nas mãos enrugadas
Nos colares feitos a mão
Nos óculos personalizados
Nos horizontes de ontem
Nos gritos de criatividade
Nas criações de alternativas
Adaptações para os baixinhos
Abraços que confortam rapidinho
Mais de dois braços e uma cabeça

Música eletrônica
Remédio de pressão
Hora da merenda
Filosofia de amor e perdão
Manifestação de preguiça
Manifestação de obstinação
Manifestação de inconsistência
Manifestação de genuinidade

A interação é, sim, mágica
Entre um lado e outro das pontes
Aprender é como se despir do anterior
Se reconhecer através de novos tons
Falas, cortesias, amizades, devaneios
Críticas, pedidos, curativos, receios
Ensinar é como se abrir e se deixar
Voar com o impulso do interesse
Pelas correntes da motivação
Através dos bosques do medo
Por baixo dos picos de escuridão
Mas também se afogar no cansaço
Nos inúmeros galhos de desatenção
Se emaranhar nas coisas incontroláveis
Como os caminhos volúveis do coração

Tão no começo
De todo esse espetáculo
Já sei o peso de vários lápis
O corte de várias folhas
A alegria de cada “bom dia”
A alegria de cada bom dia

Me sinto velho
Me sinto novo
Me sinto mais novo
Mesmo experiente
Erro competentemente
Corrijo, não me aflijo
Faço graça e prossigo

Recebo maçãs
Recebo retornos
Imensuráveis
Indescritíveis
Coisas que nunca pensei
Coisas que nunca imaginei
Coisas as quais nunca me entreguei

Anúncios