Enquanto, eu, ela, via
O medo, de mim, não partia
Parece que a porta foi sentença
Quando a maçaneta fez o último ruído
Meu peito acelerou em urgência instantânea

Nada se apagou como num sonho
Nada se desfez como maldição
A realidade apenas mudou
Tão linda, ingrata, real

Nunca mais me senti daquele jeito
Logo eu, daquele jeito, tão perdido
Todo novo baque era uma esperança
Eu queria vê-la novamente, ao vivo
Sentir sua presença, sua existência
Aquela sala parecia tão mais longe
Poucos metros me levavam longe
Devaneios angustiantes, sem nome

Até eu, ela, ver, de novo
Logo eu, quieto, nada afoito
Imóvel, inacessível, intrépido
Sem pensar em mais nada
Sem minhas ansiedades avulsas
Sem nenhuma questão abrupta
Minha curiosidade era simples
Por isso, desde o início, corrosiva
Mais do que qualquer outra
Uma interrogação e pronto
Vazio sem espaço para rodeios
Eu e minha saudade imensa e pronto

Como eu era pequeno
Ali, sem ela, como nunca
Nem quando estive no ar
Nem quando atravessei o mar
Nunca fui tão indefeso, sereno
Ali, sem ela, nada fazia sentido
Não havia nenhum outro compromisso
Eu era, sem mãe, apenas, aflito, filho

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