Estaria mentindo se dissesse que não sei quais caminhos quero seguir; até porque certezas não são muito raras para mim, pelo menos bem lá no fundo. A incógnita que desencadeia inúmeros questionamentos desconfortáveis é, acima de tudo, alheia, e dela tenho medo de falar. Temo que a simples menção, direta, da sua existência, deixe a correnteza da nossa relação ainda mais desafiadora. Acredito não estar exagerando, afinal de contas, tratando-se de planos indo por água abaixo, eu sou, assim como nas certezas subentendidas, um mestre. Já não tenho os impulsos esplendorosos de antes para me expressar, não preciso de tais configurações para continuar adorando o que faço, agora com mais fluidez.

Estaria sendo hipócrita se alegasse que não sei como sair desse labirinto. Contudo, como já disse em alucinações passadas, a resolução dos conflitos que me assombram vai muito além do conhecimento. Antes eu era apenas um pote vazio, sendo preenchido com informações aleatórias e imutáveis, agora eu entendo que acumular verdades, por mais universais que elas possam ser, é apenas um dos vários estágios do processo de assimilação e decodificação das trilhas da consciência. Portanto, antes de tentar me libertar, tenho que entender porque estou atrás das grades, tenho que desvendar o mistério que descansa embaixo da camada mais atraente.

Estaria me precipitando se partisse para uma conclusão. Tenho que me conceder mais algumas tentativas, é melhor não determinar a quantidade, pois tenho o mal hábito de me perder nas responsabilidades que adoto. Todos os métodos e combinações utilizados na esperança de encontrar a senha da tão cobiçada autoestima vêm de diversas fontes; ora externas, ora totalmente esquecidas. Felizmente superei a fase onde criticava, incessantemente, todos os moldes finais e nem chegava a usá-los. Tal atitude é, sem refutações, característica daqueles que, assim como um eu, menos experientes, buscam a perfeição inexistente até nos mais insignificantes dos detalhes.

Colocaria todos os argumentos em risco se, “por acaso”, deixasse de citar a principal razão pela qual estou aqui, me disponibilizando de uma forma fragilizada e crua. Diante das construções das perfeições medíocres, tenho que abordar a mais memorável de todas: A falta de coragem de mostrar os resultados. Não só essa, como também as já citadas, incluindo o amor ideal, me fazem pensar em mim mesmo como uma outra pessoa; é como se eu tivesse a malemolência mística necessária para construir um observatório singelo, de onde interpretar minhas ações de maneira meticulosa não seria sinônimo de distúrbio mental.

Criaria uma alteração mais bagunçada caso simplesmente juntasse muitos recortes do que sou, em todas as esferas da minha estadia neste mundo, e as manipulasse em prol da queda do monstro que venho me tornando. Seria apenas mais uma de minhas demonstrações bem sucedidas de má convergência entre o que é planejado e o que é possível encher de poeira. Nada é tão irreparável, não da maneira como ainda descrevo em meu diário. Sou criança, mas tenho que crescer; e rápido. Então, ao confrontar mais algumas das discrepâncias que me governam, saio do lugar, mas não me tiro do posto de fracasso inevitável.

Tiraria a importância e a coerência de minhas declarações se começasse a destrinchar outro aspecto dessa desordem que tanto amo e odeio e almejo. Onde estávamos? Ah, sim… Agora venha, chegue mais perto, quero te contar sobre como conduzo a organização dos cenários lindos e os destruo antes mesmo de poder sentir a relevância de sua peculiaridade. Quero pedir desculpas, mas não as mereço. Como já disse anteriormente, sou o vilão da maioria de minhas histórias, que realmente desejo que fossem apenas isso, passatempos literários. Como já disse anteriormente, muito pouco do que desejo se torna realidade; também já disse que não me considero especial por causa disso; também já mencionei, incansavelmente, que não canso de relatar minhas desventuras psicológicas, que certamente merecem ser analisadas e compreendidas, por uma pessoa, digamos assim, menos envolvida com as ocorrências; que em sua essência, não passam de vestígios da minha abstinência de ações concretas. Ufa, cansei, acho que sim, até amanhã!

Surpreenderia a mim mesmo se de uma hora para outra, encontrasse algo consideravelmente interessante entre minhas quinquilharias. Cada pedaço de mim que ponho na tela, no papel, no ar é apenas mais um pedaço de mim. Me emaranho quando o momento de coroá-los chega. O muro que preciso escalar para ter acesso às qualificações pessoais das minhas ramificações só tende a crescer e se adaptar aos progressos que faço vagarosamente. A animação em ver, passo a passo, novos mundos ganhando forma se acaba assim que o destino final deles se torna iminente. Da intriga ao desapontamento, e da aceitação à dúvida cortante, tenho que lidar não só com meus demônios, mas também com todos os elementos e efeitos que se aplicam aos que ousam atravessar as fronteiras do anonimato.

Repetiria, novamente, os trajetos errôneos que me trouxeram até aqui se, em uma de minhas fugas da claridade, permitisse que meu julgamento dos desfechos solidificados até esta data fosse comprometido pelo meu desejo de construir uma imagem respeitável diante daqueles que um dia, quem sabe, podem me elevar ao nível que um dia, enquanto sonhador em fase de testes, passei a me referir como alvo essencial. Não é tão obvio quanto soa, não se trata de grandeza ou riqueza, nem de felicidade, mas sim de plenitude. Quero, ao fim de qualquer capítulo, estar de bem com todas as engrenagens da máquina que tento ser, perda após perda. Sim, estou sendo imprudente e colocando metas vazias sobre a mesa, esse é o meu estilo, se tiver que voltar mais algumas casa, que seja, já modifiquei-me demais, é hora de tentar mudar o meu meio. Seria muito fácil apenas desistir, mas não sou assim, [in]felizmente.

O bosque ainda está sujo
Pelo menos ainda o tenho
Ainda o amo, com o amor que ainda me resta
O perdão é meu, por agora
O futuro está lá, não sei como
Tudo que é meu já é seu
Minha raça, minhas palavras
Meu foco… E quem me diz coisas boas

Cansei, não realmente, mas sim
Contradições batalham dentro de mim
Por atenção, por incidência, por realidade
Cansei, de certo modo, é verdade
A verdade perdeu o sentido
Repito-a, eu sei, é chato, sou chato
Cada macaco com seus galhos descartáveis
Memórias básicas e mal aproveitadas
Então, tá?
É assim que a banda toca
É assim que eles dizem
Eu aceito, corro, me calo, só que nem sempre
Entendeu? Espero que… Esquece!

Você deve estar confuso
Assim como eu
Acho que valeu a pena
E você?
Vale a pena?
Está feliz?
Feliz como quem? Como eu?
Espero que não

O momento é uma questão
O momento é a resposta
Quem sabe os relaciona
O relaciona
É tudo muito estranho, desleal
Nada é como a gente quer
A gente não é como a gente quer
Que coisa!
Que estranho, não é mesmo?
Será que é?
Veremos…

A contagem está quase no fim, acredito
Acredito no agora
Mas ainda minto
A rosa, o verde, o azul, a inversão
O menino que insiste no normal
A menina que talvez… Exista
Um beijo
Só isso mesmo
É só o que tenho
Agora… E sempre?
[E lá se foi mais uma chance de ficar quieto]

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