A velha premissa
Da figura reaparecida
E as dúvidas com ela trazidas
Aqui sob irreverente contrapartida

Olha lá, não há incógnita clichê
Olha lá, há vontade incessante de saber
Olha lá, o mistério tem alicerce com poder

Ela sabe de onde veio
Ela sabe qual é seu apelo
Não abre a boca porque não quer
Não se abre para quem não quer
É lente dupla de arquitetura oculta
É força límpida de preciosidade rítmica

O que não se tem em mãos
Brota do olhar, do toque, da ação
Em dramas que condensam e instigam
Em personagens que amedrontam, fascinam
Entre conceitos tradicionais e deveras originais
De interações usuais a constituições fenomenais

A simbologia tem peso considerável
Numa narrativa lenta, mas palpável
Com emoções críveis, mas sensatas
Sem traços ridículos, abas exageradas

A fotografia é consistente
Em sua opacidade estonteante
Seu núcleo alheio à saturação vibrante
Sua harmonia desprovida de cores ardentes

Em um padrão visual sólido e potente
Uma atmosfera constrangedora se faz
Com ícones e frases mais que eficientes
O pouco é letal, a introdução já satisfaz
Há aumento das questões de forma sagaz
Que nos dá beleza, coerência… Nos deixa querendo mais

O azul e a escuridão
Protagonistas como nunca
Mesmo constantes, variantes
Preservam relevância profunda

O cinza e a sua oscilação
Falta de esperança ou redenção?
Sempre ponto de aveludada apreciação
Nutrimento de esmagadora transmutação

A trilha sonora, cortante, ampla
Sintetiza a ansiedade mais saliente
Penetra os momentos de insegurança
Traz o trágico e o mórbido pacientemente

Cada toque agudo é novo susto
Breve, nada confuso, enxuto, astuto
Cada novo acorde é um novo porte
Caixa-forte, quase-morte, incerta sorte

Aos poucos, de leve, conscientemente
O roteiro se entrega, se enriquece, pulsa
Com ventos, gestos, choques, gradualmente
A história se revolta, se contrai, se morde, se lustra

Mexe-se com peças ideais e suas fronteiras
Com metáforas, seriedades e suas sutilezas
Brinca-se com o vazio do qual nunca se fala
Através de contemplação da imagem inacabada

O que nunca se sente e o que sempre se mente
A força da forca da corda que acorda agora
O abismo e o sigilo e o instinto reavido

O rasgo de delicadezas
O minimalismo de grandezas
O sopro, são, de insanidade
O vício trêmulo de vitalidade

Os espelhos narrativos
São ângulos récem-concebidos
Antes mínimos, depois expandidos
Jamais totalmente compreendidos

Uma rede bonita, alucinante
Que requer espectador atento
Um emaranhado de joias delirantes
Que requerem mais de um alento
Uma série de percepção preciosa
Um roteiro de circuitos abrangentes
Uma série de ornamentação meticulosa
Um roteiro de intuitos incandescentes

Netflix, desta vez, macia
Dramática, enigmática
Netflix, desta vez, mais anomalia
Linguagem peculiar, ávida
Netflix, mais uma vez, mais do novo
Netflix, mais uma vez, dignificando escopos


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